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Por dentro da fortuna de US$ 500 mi da rainha Elizabeth

Sua Alteza desfruta de um estilo de vida de fazer inveja a qualquer bilionário

12 min
Getty Images
Getty ImagesA Forbes calcula que se a rainha possuísse todos esses bens, ela seria a pessoa mais rica do Reino Unido

Resumo:

  • Embora viva a vida dos ultrarricos, a rainha Elizabeth está longe de ser uma das pessoas mais abastadas do mundo;
  • Muitos dos bens valiosos da família real, como o Palácio de Buckingham, são de propriedade de um organismo chamado Crown Estate e não podem ser comercializados;
  • A Forbes calcula que se a rainha possuísse todos esses bens, não só seria a pessoa mais rica do Reino Unido, como também a terceira mulher mais rica do mundo, com um patrimônio líquido de mais de US$ 25 bilhões.

Em que tipo de berço nasceu o pequeno Archie Harrison Mountbatten-Windsor? De ouro, é claro. Afinal, a bisavó dele vive como uma rainha.

Somente Elizabeth II pode chamar vários palácios de “minha casa”, usar tiaras Cartier, ser dona de pinturas raras, colecionar cavalos puro-sangue e combinar uma infinidade de chapéus coloridos com um arco-íris de roupas, tudo isso sem ser bilionária. Sua Majestade, coroada em 1953, vive a vida dos ultrarricos, mas está longe de ser uma das pessoas mais abastadas do mundo – ou mesmo do Reino Unido. O patrimônio líquido de nove dígitos da rainha – calculado em US$ 500 milhões – coloca-a bem abaixo dos 2.153 bilionários da lista Forbes deste ano. Mesmo assim, ela desfruta de um estilo de vida que qualquer um deles certamente invejaria.

Aos 93 anos, Elizabeth II é proprietária direta de bens como o Castelo de Balmoral, na Escócia, e Sandringham Estate, em Norfolk, mas muitos de seus bens mais valiosos, como o Palácio de Buckingham, são de propriedade de um organismo chamado Crown Estate.

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ReproduçãoElizabeth II é proprietária direta do Castelo de Balmoral, na Escócia

Se ela possuísse o Crown Estate – que inclui um sem-número de propriedades no Reino Unido e não é propriedade nem do governo nem da família real – bem como o Ducado de Lancaster (um fundo privado regido pelas mesmas regras de propriedade), a Forbes calcula que a rainha seria a pessoa mais rica do Reino Unido (e a terceira mulher mais rica do mundo), com um patrimônio líquido de mais de US$ 25 bilhões. E mesmo esse número não leva em conta o valor da Royal Collection Trust, que, com seus ovos Fabergé e pinturas de Rembrandt, pode valer mais de US$ 1 bilhão.

E ela se sustenta. A rainha obtém uma renda anual das propriedades detidas pelo Crown Estate (avaliado em US$ 18 bilhões) e pelo Ducado de Lancaster que lhe pagaram US$ 27 milhões (brutos) para despesas pessoais no exercício fiscal de 2018. O Sovereign Grant, equivalente a 25% da renda do Crown Estate, vai para as despesas oficiais da rainha, que incluem folha de pagamento, viagens, administração doméstica, custos de manutenção e até despesas de TI (afinal, ela está no Instagram). E nada disso inclui os ganhos que ela obtém apostando em seus amados cavalos de corrida.

Naturalmente, o príncipe Charles, primogênito da rainha Elizabeth, não é tão rico quanto a mãe – ainda. O Príncipe de Gales, de 70 anos, obtém sua renda anual do Ducado da Cornualha, que administra um fundo imobiliário que consiste, principalmente, em 53 mil hectares e mais de US$ 450 milhões em ativos comerciais no Reino Unido. A receita do Ducado da Cornualha cobre não só as despesas anuais do príncipe Charles, mas também de seus dois filhos e respectivas famílias: o príncipe William, a duquesa de Cambridge e seus três filhos, e o príncipe Harry, a esposa, Meghan Markle e o bebê Archie. Embora consideravelmente mais modernos e práticos do que a avó, os jovens Windsor vivem como gente… da realeza. Em 2018, a família de William e a de Harry tiveram gastos pessoais de US$ 6,1 milhões, embora as demonstrações financeiras oficiais dos membros da família real não detalhassem quais foram essas despesas.

Reprodução
ReproduçãoO Ducado da Cornualha cobre as despesas anuais do príncipe Charles, do príncipe William e do príncipe Harry

Apesar do eterno fascínio do mundo todo com a realeza, há um segmento, no Reino Unido, que acha que a família real é um fardo para os contribuintes. No entanto, isso não é necessariamente verdade, segundo Richard Haigh, diretor-executivo da Brand Finance, uma empresa de avaliação sediada no Reino Unido. “No ano passado, avaliamos em quase US$ 1,5 bilhão o impulso que o casamento real de Harry e Meghan em Windsor deu à economia da região”, disse Haigh à Forbes. E, em seu último relatório sobre a monarquia, de 2017, a Brand Finance calculou que a família é responsável por mais de US$ 700 milhões anuais provenientes do turismo.

Em outras palavras, é abundância real para todos.

A FAMÍLIA REAL EM NÚMEROS

IMÓVEIS

US$ 18,7 bilhões: imóveis britânicos pertencentes ao Crown Estate e ao seu equivalente escocês. Tecnicamente, a rainha é dona desse portfólio de propriedades comerciais e industriais, mas não pode vender nenhuma delas.

Reprodução
ReproduçãoO Palácio de Buckingham é a residência dos soberanos do Reino Unido desde 1837

US$ 4,7 bilhões: de acordo com Lenka Duskova, da imobiliária tcheca Luxent, o Palácio de Buckingham, que tem 775 aposentos e é a residência dos soberanos do Reino Unido desde 1837, valeria um pouco mais do que o patrimônio de Richard Branson. (Não que a família real esteja pensando em se mudar.)

US$ 1,3 bilhão: patrimônio líquido do Ducado da Cornualha, com 53 mil hectares. O portfólio inclui as Ilhas Scilly e propriedades residenciais e comerciais em Londres, além de Llwynywermod, a casa galesa do príncipe Charles e de Camilla Parker-Bowles, a duquesa da Cornualha.

US$ 740 milhões: patrimônio líquido do Ducado de Lancaster, que inclui cerca de 19 mil hectares de terras na Inglaterra e no País de Gales, adquiridos pelo Ducado ao longo de sete séculos, e a Capela Savoy, em Londres (construída em 1512), além de pedreiras de calcário e arenito e uma mina de gesso.

US$ 600 milhões: valor, segundo a Luxent, do Palácio de Kensington, casa de infância da rainha Vitória e residência de jovens da realeza há mais de três séculos. O duque e a duquesa de Cambridge e os três filhos moram no “apartamento” 1A do Palácio de Kensington, com 20 quartos e quatro andares.

RETRIBUIÇÃO

US$ 428,2 milhões: lucro obtido pelo Crown Estate em 2018 – depositado no Tesouro da Grã-Bretanha e não nas muitas bolsas da rainha.

US$ 145,6 milhões: patrimônio total das instituições beneficentes do príncipe Charles, que apoiam causas econômicas, ambientais e sociais na Grã-Bretanha e no mundo inteiro.

US$ 46,7 milhões: valor gasto pelas organizações filantrópicas do príncipe Charles com atividades beneficentes em 2018.

US$ 31,5 milhões: valor do espólio de Diana na ocasião da morte da princesa, de acordo o testamento dela. A maior parte dessa soma foi para os filhos, os príncipes William e Harry, cada um dos quais herdou a respectiva parcela em seu aniversário de 25 anos. O restante foi dividido entre os 17 afilhados dela e o ex-mordomo Paul Burrell, que recebeu £ 50 mil (cerca de US$ 81 mil).

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ReproduçãoA maior parte do espólio de Diana foi para os príncipes William e Harry

1.762: número de turbinas eólicas em alto mar que fazem parte do Crown Estate.

ESTILO DE VIDA

200 bilhões: número de vezes que a imagem da Rainha foi reproduzida nos selos postais do Reino Unido. O visual não muda desde 1967, e acredita-se ser a obra de arte mais reproduzida da história.

US$ 17.627.021: valor que as joias e os artigos Fabergé da coleção da princesa Margaret arrecadaram na Christie’s em 2006. Entre as requintadas peças estava a Tiara Poltimore – feita em 1870 pela Garrard para Lady Poltimore, esposa do segundo barão Poltimore, tesoureiro da rainha Vitória –, que foi vendida por US$ 1,7 milhão.

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ReproduçãoA  Tiara Poltimore foi vendida por US$ 1,7 milhão em 2006

US$ 2.423.050: valor pelo qual um selo “Post Office” de US$ 0,02 emitido nas Ilhas Maurício em 1847 (nº 13) – que se assemelha ao selo amplamente considerado o mais valioso da Coleção Filatélica Real (nº 14) – foi vendido em 1993. Essa estimada coleção – que nunca foi avaliada – também ostenta um dos dois selos “Perot” ainda existentes, emitidos nas Ilhas Bermudas em 1854, sendo que o outro foi vendido por US$ 340 mil em 1996.

US$ 2,2 milhões: patrimônio líquido de Meghan Markle com base no salário dela na série televisiva “Suits”. A duquesa de Sussex estrelou o drama jurídico no papel de Rachel Zane por sete temporadas e ganhou uma média de US$ 57,5 mil por episódio, segundo estimativas.

US$ 1.039.758: preço de leilão do Rolls-Royce Phantom IV 1955 pertencente à rainha Elizabeth, vendido na Goodwood Revival Sale da Bonhams em setembro de 2018. No ano anterior, um Daimler Super V-8 2001 feito sob encomenda para a rainha arrecadou US$ 55.575 – e, em novembro de 2016, o amado Audi Cabriolet 1994 da princesa Diana foi vendido por US$ 59,5 mil na NEC Classic Motor Show da Silverstone Auctions.

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ReproduçãoO Rolls-Royce Phantom IV 1955 foi vendido por US$ 1.039.758 em 2018

US$ 583 mil: ganhos totais dos cavalos campeões da rainha Elizabeth de um ano para cá, de acordo com a British Horseracing Authority. O cavalo mais valioso da rainha em todos os tempos, o Estimate – puro-sangue criado na Irlanda e treinado na Grã-Bretanha que ganhou o Queen’s Vase no evento Royal Ascot de 2012 e o Ascot Gold Cup no ano seguinte –, arrecadou mais de US$ 487 mil em prêmios antes de ser aposentado no Royal Stud de Sandringham em 2014.

US$ 222,5 mil: valor pelo qual um vestido de gala Victor Edelstein de veludo azul-marinho que a princesa Diana usou em um jantar oferecido pelo presidente Ronald Reagan na Casa Branca em 1985 – durante o qual ela dançou com John Travolta – foi vendido em um leilão em 1997.

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ReproduçãoO vestido de gala Victor Edelstein de veludo azul-marinho foi vendido por US$ 222,5 mil em um leilão em 1997

US$ 25.277: valor da anuidade da escola Thomas’s Battersea, onde o príncipe George estuda, referente ao ano letivo de 2019-2020, incluindo livros e matrícula.

23.578: número de pedras preciosas expostas na coleção de Joias da Coroa, que fica na Torre de Londres. O Cetro com Cruz do Soberano foi usado em todas as coroações desde a de Charles II, em 1661, e ostenta o diamante Cullinan I, o maior diamante branco lapidado de alta qualidade do mundo, com 530,2 quilates.

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ReproduçãoA coleção de Joias da Coroa fica na Torre de Londres

US$ 7,5 mil: valor pelo qual uma fatia do bolo do casamento do príncipe William com Kate Middleton foi arrematada na Julien’s Auctions em dezembro de 2014 – quatro meses depois de uma fatia do bolo de frutas de cinco andares do casamento do príncipe Charles com Diana Spencer ter sido vendida por US$ 1.375. No ano anterior, um pedaço do bolo de 250 quilos e 2,7 metros de altura da rainha Elizabeth e do príncipe Philip foi vendido por US$ 896, preço relativamente baixo.

US$ 3,9 mil: preço final de uma boneca de feltro e veludo de 1935 que pertenceu à princesa Elizabeth, vendida em dezembro de 2018. No ano anterior, um par de brinquedos Minnie e Mickey Mouse da Deans Rag Book Co. – dado à princesa Elizabeth e à princesa Margaret por sua babá Clara Allah Knight – arrecadou US$ 1.164.

1.306: número de cães da raça corgi registrados no Reino Unido em 1944, quando a princesa Elizabeth ganhou um em seu aniversário de 18 anos. O registro de corgis deu um salto de 56% naquele ano e continuou aumentando até 1960. A influência da rainha no mercado de corgis é tão grande, que, quando o último cachorro dela morreu, em 2018, o Kennel Club colocou os cães de pernas curtas temporariamente em sua lista de raças em risco.

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ReproduçãoRainha Elizabeth com um cão da raça corgi

800: número de detentores da certificação real, que vão de marcas de luxo, como a Burberry, até a empresa familiar Abbey England, que fabrica selas. A certificação real identifica quem fornece produtos ou presta serviços à família real. De acordo com estimativas da Brand Finance, a certificação real pode aumentar a receita de uma empresa em até 5%.

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Archie é o 7º na linha sucessória da coroa britânica

7: posição de Archie, filho recém-nascido do príncipe Harry, na linha sucessória.

Com reportagem adicional de Hayley C. Cuccinello, Ariel Shapiro e Kristin Tablang

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