Glória Maria garante: “Me comunico com todo mundo porque todos entendem o idioma da alma”

Divulgação/Acervo Pessoal
Divulgação/Acervo Pessoal

A ideia de Glória Maria sobre felicidade no trabalho é ter liberdade para fazer o que se quer, além de ter o respeito e a admiração das pessoas

Apesar do momento difícil que o mundo atravessa, a jornalista Glória Maria se diz agradecida por estar gozando de boa saúde, depois de ter enfrentado uma delicada cirurgia, em novembro do ano passado. Totalmente recuperada, ela está de volta ao batente, apresentando o “Globo Repórter”. “Sobrevivi”, comemora.

Devido ao distanciamento social, Glória tem trabalhando diretamente da sua casa, no Rio de Janeiro, onde foi montada toda uma estrutura – respeitando os protocolos das autoridades sanitárias – para suas aparições no “Globo Repórter”. “Devo ser a pessoa mais isolada dessa quarentena. Primeiro fiquei convalescendo da cirurgia, de novembro a março, e na sequência, foi decretada a quarentena”.

Glória fala sobre o problema de saúde de maneira muito leve, mas levou um susto e tanto. Sob os cuidados do renomado neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, ela enfrentou um procedimento cirúrgico de seis horas, para a remoção de um tumor no cérebro, além de dois dias no CTI. “Durante a minha recuperação, o Paulo me disse que tenho saúde de triatleta”, diz ela, que pratica pilates há mais de 25 anos e é mãe de duas pré-adolescentes, Maria e Laura.

Sua relação com a moda vem da infância. “Meu pai era alfaiate; como a gente era muito pobre, ele fazia as minhas roupas com os retalhos que sobravam do seu trabalho. Foi assim durante anos. Quando vesti minha primeira roupa comprada pronta, estranhei muito.” Em sua lista de amigos, está o jovem Olivier Rousteing, diretor criativo da marca francesa Balmain, e um dos nomes mais poderosos da moda atual.

No departamento beleza, teve o privilégio de aprender a se maquiar com um mestre, o polonês Eric Rzepecki (pronuncia-se “Jepétisqui”), maquiador que fez história na TV Globo – ele fugiu de um campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial e trabalhou no cinema inglês, maquiando estrelas como Vivien Leigh, antes de chegar ao Brasil no final dos anos 1940. “Quando comecei na TV, não existiam no Brasil produtos para meu tom de pele, então pedi uma ajuda ao Eric, que fez uma mistura até chegar no tom ideal e me ensinou a me maquiar.” Ela se revelou uma aluna aplicada.

A globetrotter do telejornalismo brasileiro lembra sua primeira viagem internacional a serviço do jornalismo da Globo, nos anos 1970, para a posse do presidente norte-americano Jimmy Carter, e garante que ainda tem muito chão a percorrer, conhecer ou revisar. Avisa que, assim que puder fazer as malas novamente, um dos primeiros destinos deve ser, novamente, a Arábia Saudita. “Eles estão ensaiando uma abertura, para apresentar ao mundo uma política de costumes mais liberal, como permitir que as mulheres dirijam automóveis. Mas, será mesmo?”, questiona, com faro de repórter experiente. “Só falo inglês e francês. Arranho no espanhol e no italiano. Qual o problema? Eu sou brasileira, então sempre consigo me comunicar com todo mundo, seja na Sérvia, seja no Oriente Médio. No final, a língua que todo mundo entende é o idioma da alma.”

Seu início na TV foi como estagiária. “Uma amiga que trabalhava na Globo me avisou da vaga porque ‘como você gosta de escrever’…”, conta. Glória conseguiu o trabalho e diz que, no princípio, o que a atraía na profissão era mesmo a palavra. “Tanto que só apareci no vídeo depois de dez anos de casa”. Fez um pouco de tudo: das reportagens e bancadas dos telejornais da emissora até a apresentação do “Fantástico”. “Subi os morros cariocas e entrei em palácios, sempre falando com todo mundo”, diz, resumindo uma carreira em que “todo mundo” inclui nomes como Freddie Mercury, Mick Jagger e Michael Jackson. Indaga como se sente com o epíteto de jornalista mais popular do país, responde: “Sabe por quê? Porque isso significa que eu sou uma pessoa comum.”

A seguir, Glória Maria, mulher de sucesso, responde:

Qual o seu maior exemplo de mulher de sucesso?

Indiscutivelmente, minha mãe. Ela era uma pessoa pobre, que não teve acesso à educação, à cultura, mas conseguiu me criar, me educar e fazer de mim a pessoa que eu sou.

Qual a sua ideia de felicidade no trabalho?

Em primeiro lugar, ter liberdade para fazer o que se quer. E depois, ter o respeito e a admiração das pessoas.

Eu achava que sucesso era… mas descobri que sucesso é…

Sempre achei que, acima de tudo, sucesso era ter liberdade. E descobri que é isso mesmo.

Depois da pandemia qual será a mudança mais significativa na sua área de atuação profissional?

Para mim, a maior mudança será escolher, com muito mais cuidado e atenção, os lugares para onde vou viajar e fazer reportagens. Antes, eu escolhia na base da emoção e da curiosidade. Agora terei que ir na base da racionalidade, pesquisando e estudando muito antes de ir. Não dá mais para ir só na emoção e no coração.

Se você pudesse escolher um superpoder, qual seria?

O poder de dar liberdade para todas as pessoas. Para cada um ser exatamente o que quiser.

Que tipo de hábito ou exercício você recomenda para desligar ou aliviar sua mente?

Caminhar, mas caminhar durante horas. E pensar. Pensamentos bons e positivos.

Qual mensagem você gostaria de deixar para as próximas gerações?

Uma coisa simplérrima: Vivam e deixem viver. Só isso.

 

Com Mario Mendes e Antonia Petta

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

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