Steve Forbes: Um novo pacote de estímulos aumentará a inflação?

Getty Images/Virojt Changyencham
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O déficit orçamentário já contido em projetos de ajuda anteriores pode levar a um rombo de US$ 3,5 trilhões

Muitos economistas e gestores financeiros estão otimistas com a economia em 2021. Eles acreditam que teremos um novo projeto de estímulo e que isso ajudará a dar um forte impulso à economia norte-americana no próximo ano. O que eles esquecem é que o Federal Reserve pode muito bem desencadear um surto inflacionário do tipo que não vemos desde os terríveis anos 1970.

O combustível dessa catástrofe foi uma imensa quantidade de dinheiro impresso pelo Fed. Infelizmente, o banco central americano está pronto para fazer isso de novo em 2021. Para financiar uma nova rodada de gastos do governo, Washington provavelmente aprovará outro projeto de estímulo, e Joe Biden quer que ele chegue a um montante consideravelmente superior ao que o governo Trump estava disposto a aceitar. Uma nova ajuda é muito necessária, mas não na escala gigantesca que tantos políticos estão defendendo. Contudo, pode ser intensa a pressão pública motivada pelo desejo natural de dar ao novo presidente a oportunidade de implementar políticas destinadas a ajudar uma economia ainda em recuperação. Bastariam apenas alguns senadores republicanos frouxos, aliados aos democratas do Senado. O déficit orçamentário já contido em projetos de ajuda anteriores pode levar a um rombo de US$ 3,5 trilhões ou até mais.

Uma coisa seria se esse déficit fosse financiado, em grande medida, por títulos, aproveitando o dinheiro já existente nos EUA e fora. Todavia, o Fed, como fez este ano, presumivelmente acabará comprando esses títulos por meio da criação de dinheiro a partir do nada. Essa é uma boa receita de inflação. Com a chegada de várias vacinas, as incertezas se dissiparão e o dinheiro passará a circular. Os preços começarão a subir.

Você pode ser tributado por trabalhar em casa?

Por causa da pandemia, milhões de pessoas passaram a gostar de trabalhar em casa. E, mesmo quando tivermos vacinas, muitas pessoas talvez optem por não voltar ao escritório, pelo menos não em tempo integral. Além disso, muitos empregadores estão concluindo que não precisarão de tanto espaço quanto antes.

Isso preocupa os políticos. Menos funcionários fora de casa significa menos uso de automóveis e transporte público. Isso leva a uma diminuição das receitas das passagens, de pedágios e de impostos sobre combustíveis. Também significa menos impostos sobre o almoço dos trabalhadores.

Os impostos sobre imóveis comerciais serão afetados negativamente. O menor uso de eletricidade comercial prejudicará as taxas que os políticos adoravam adicionar às contas.

É por isso que os políticos estão de olho, discretamente, em um novo imposto que incida sobre o trabalho em casa. A ideia é que sua casa é agora um local de trabalho e, portanto, um imóvel comercial.

Quanto seria cobrado de quem trabalha em casa? Um grande banco propôs que um domicílio típico nos EUA pagasse US$ 2.500 a mais.

Esse artifício será apresentado às pessoas que trabalham em sua casa ou apartamento como algo que não representaria um aumento líquido de seu custo de vida, já que estão economizando dinheiro por não se deslocarem diariamente. Boa sorte ao usar essa justificativa…Mas, para diminuir a resistência, os políticos provavelmente alegarão que esse imposto será apenas temporário. Infelizmente, a experiência já demonstrou repetidas vezes que não há nada tão permanente quanto um imposto temporário.

Steve Forbes, Editor-chefe da Forbes

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