Práticas sustentáveis permitem aumentar a produção e diminuir o impacto no meio ambiente

Helen Jacintho
Helen Jacintho

Os produtores rurais adotam estes tipos de medidas sustentáveis, não somente por altruísmo, mas porque sabem que é necessário seguir o caminho da sustentabilidade por razões comerciais

Existe um novo produtor rural e ele é verde, se preocupa com a preservação, sustentabilidade e bem-estar animal, sendo o pilar do sucesso do agro brasileiro.

A pecuária brasileira, assim como a agricultura, deu um salto em produtividade e sustentabilidade. A revolução agrícola que aconteceu nas décadas de 70 a 90 chegou a pouco mais de 15 anos também à pecuária brasileira. Foram desenvolvidas inúmeras alternativas objetivando tornar a pecuária uma atividade mais sustentável: CCN – Carne Carbono Neutro, ILPF – Integração Lavoura, Pecuária Floresta, BEA – Bem Estar Animal, Biodigestores para tratamento de resíduos, Nutrição de precisão, entre outros.

De acordo com a Embrapa, “os recentes ganhos de produtividade dos rebanhos foram obtidos por meio do aumento da eficiência dos sistemas de produção. Isso diminuiu a demanda por novas áreas de pastagens, reduzindo a pressão de desmatamento e contribuindo para a sustentabilidade da pecuária nacional.”

Buscando alternativas sustentáveis, os pecuaristas brasileiros têm adotado técnicas de mitigação de CO2 como CCN – Carne Carbono Neutro, selo desenvolvido pela EMBRAPA que certifica que no processo de produção de carne o CO2 foi mitigado pelas árvores plantadas nos pastos, com técnicas como ILPF, Integração Lavoura, Pecuária Floresta.

A adoção da ILPF – Integração Lavoura, Pecuária Floresta, no setor pecuário teve um aumento de 10% nos últimos 5 anos. Neste sistema, ocorre, como o nome diz, a integração de árvores com pastagens e lavouras em rotação ou consórcio na mesma área. As árvores melhoram o bem-estar dos animais, trazendo conforto térmico, então o animal desempenha melhor ganhando peso. Várias vantagens vêm da adoção desta prática principalmente a conservação de solo e água, primordiais para uma pecuária sustentável.

Outro aspecto da sustentabilidade são práticas de BEA – Bem-Estar Animal, a dedicação do pecuarista aos cinco aspectos do bem-estar animal, alimentação adequada para que mantenham a saúde, acesso à água, instalações seguras, áreas de descanso onde o animal possa expressar seu comportamento natural e manejo livre de estresse vêm aumentando no país.

Biodigestores, outra opção na busca pela sustentabilidade, têm sido adotados para tratamento de resíduos, acreditando que é possível alinhar redução de custos, adubação, autonomia energética, enquanto se dá destinação aos resíduos. O equipamento proporciona um ambiente controlado para a decomposição da matéria orgânica presente nos dejetos por meio da biodigestão, que tem sido avaliada como uma das tecnologias mais eficientes em termos energéticos e ambientais para a produção de bioenergia. Deste processo resultam um biofertilizante e um biogás. Utilizando o material do biodigestor se economiza adubo, energia e se dá destino aos dejetos dos animais, transformando desta maneira um passivo ambiental em ativo energético.

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Os produtores rurais adotam estes tipos de medidas sustentáveis, não somente por altruísmo, mas porque sabem que é necessário seguir o caminho da sustentabilidade por razões comerciais. A grande maioria dos pecuaristas brasileiros sabe do desafio que será imposto a eles e vêm observando as vantagens das práticas sustentáveis.

Em 2050 a população mundial será de 9,8 bilhões de pessoas, a produção de carne precisará aumentar em 200 milhões de toneladas. O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo: 222 milhões de cabeças, produzindo 10,96 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 8,75 ficam no mercado interno e 2,21 são exportadas, o que nos torna o maior exportador mundial. A cadeia produtiva da pecuária movimenta R$ 167,5 bilhões por ano, empregando aproximadamente 7 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Agricultura.

Segundo cálculos do engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, de 1990 a 2018 a produtividade na pecuária aumentou 176%, neste período a produtividade passou de 1,63 @/ha/ano para 4,[email protected]/ha/ano, a produção de carne cresceu 139% e a área de pastagens diminuiu. Ainda segundo Nogueira, “o desenvolvimento tecnológico da pecuária a partir dos anos 1990 foi suficiente para evitar o desmatamento de 270 milhões de hectares. Chega-se a esse número calculando a área necessária para produzir a mesma quantidade atual de carne com o nível de produtividade de 1990.”

Graças ao aumento da produtividade, foi possível preservar áreas nativas, trazendo enorme ganho ambiental, visto que milhões de hectares de florestas deixaram de ser derrubados e foram preservados. Adotando estas técnicas a pecuária brasileira produziu mais animais por hectare, reduzindo assim a produção de gases de efeito estufa por kg de carne produzida.

O Brasil, como um grande produtor e exportador de carne, tem uma posição estratégica e a cadeia produtiva está caminhando para um modelo de produção mais sustentável.

O desafio da pecuária brasileira é produzir em grande escala, mantendo o crescimento da produção, aliado à sustentabilidade, visto que o Agro não é somente uma força comercial, é também um protetor da flora e fauna brasileiras.

Fontes: FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla do inglês Food and Agriculture Organization), Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, MAPA – Ministério da Agricultura e Abastecimento, Athenagro consultoria.

Helen Jacintho é engenheira de alimentos por formação e trabalha há mais de 15 anos na Fazenda Continental, na Fazenda Regalito e no setor de seleção genética na Brahmânia Continental. Fez Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado e é juíza de morfologia pela ABCZ. Também estudou marketing e carreira no agronegócio. E-mail: [email protected]

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