Curiosidades sobre Champagne e champanhe

Andy Roberts/Getty Images
Andy Roberts/Getty Images

A história da região de Champagne, na França, e da produção do vinho branco espumante conta com muitas superações e inovações

É sempre bom lembrar e relembrar de algumas curiosidades no mundo do vinho, neste caso Champagne. Região da França que borbulha celebração, mas, também, possui uma história de desafios, guerras, geadas, secas e muita persistência. Uma das regiões mais sofridas e que vale trazer em pauta fatos que nos fazem abrir a mente, comparar, entender, descobrir e aprender sobre detalhes que passam despercebidos.

Vamos conhecer alguns deles?

  • Jean-Antoine Chaptal recebe os créditos por desenvolver a técnica de adicionar açúcar de beterraba no mosto de uva para elevar o nível alcoólico do vinho. Hoje, esse processo é conhecido como “chaptalização”. Mas, quando isso ocorreu, Jean-Antoine estava somente testando um ingrediente que exaltasse o sabor do vinho por causa da falta de açúcar. Os britânicos detinham a produção de açúcar nessa época, por volta de 1800, e bloquearam os carregamentos por causa da guerra com Napoleão Bonaparte. Chaptal experimentou colocar açúcar de beterraba para sustentar a produção de champanhe e manter a França independente. E funcionou! Hoje, a França é a maior produtora de beterraba do mundo.
  • Charles Camille Heidsieck fundou a Maison de família em 1851 e viajou para os Estados Unidos para fazer o marketing do seu champanhe. Seu apelido virou “Champanhe Charlie” durante a turnê. Quando a Guerra Civil estourou em 1861, Charles Heidsieck tinha um monte de devedores em Louisiana e foi pessoalmente cobrar estas dívidas. Infelizmente, viajar para os estados do sul era difícil por causa da guerra. O consulado francês sugeriu que ele carregasse uma pochete com documentos diplomáticos, mas, quando ele chegou em Nova Orleans para retirá-los, eles já tinham sido confiscados pelas forças da União. Apesar da sua tentativa de provar inocência, eles alegaram que ele era um espião francês e Heidsieck foi preso. Quando ele foi liberado, era tarde demais. A empresa tinha falido e ele estava em um estado de saúde muito ruim.
  • Adolphe Jacquesson inventou a gaiola, Muselet, que segura a rolha de champanhe na garrafa. Sua invenção foi patenteada em 1844 e substituiu o barbante que tinha a mesma função. Muselet vem da palavra francesa “museler” que significa amordaçar. Adolphe Jacquesson fundou a Jacquesson & Fils, uma maison de champanhe em Dizy, Champagne, em 1798.
  • A comuna de Troyes, na França, vista do alto, tem o formato de uma rolha de champanhe. Os residentes falam que é o coração de Champagne, com um precedente histórico: ela serviu como capital da região do século 4 ate a Revolução Francesa.
  • Existiam 13.806 casas na cidade de Reims, capital de Champagne, em 1914. Em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, sobraram apenas 17 intactas, 5.164 estavam parcialmente destruídas e 8.625 estavam praticamente no chão.
  • A cada outono, por volta de 100 mil pessoas passam de duas a três semanas em Champagne, na época da colheita. A colheita é manual por lei. Eles colhem uvas em, aproximadamente, 34.300 hectares de vinhedos. As uvas são colhidas e colocadas em pequenas cestas, que são levadas para o fim de cada corredor de vinhas e armazenadas em caixas com furos embaixo. Os furos são para que o suco de uva que sai delas não comece a entrar em fermentação. Depois, essas caixas são transportadas para a vinícola e as uvas são inspecionadas, pesadas e registradas por um técnico. Então, o processo de prensa acontece para a primeira fermentação de champanhe. O processo tem que ser rápido e eficiente, em apenas 20 minutos a prensa tem que ser abastecida. Tudo é controlado: a pressão da prensa, o tempo, tudo por lei. Os trabalhadores da colheita são sazonais e são hospedados e alimentados pelas vinícolas. No último dia, o ultimo veículo a transportar o último carregamento de uvas é enfeitado com flores. Uma refeição de celebração é oferecida ao grande trabalho e ao vintage daquele ano e sim, todo mundo bebe champanhe!
  • As maiores empresas de champanhe são: LVMH: Moët & Chandon, Dom Perignon, Ruinart, Veuve Clicquot, Mercier, Krug; Vranken-Pommery: Vrankem, Pommery, Heidsieck & Co., Charles Lafite; Lanson-BCC: Lanson, Tsarine, Besserat, Boizel, de Venoge, Philipponnat, Alexandre Bonnet; Laurent-Perrier Group: Laurent-Perrier, Salon, Delamotte, de Castellane; Pernod-Ricard: Perrier-Jouët, Mumm.
  • Sao necessárias 1.400 horas de sol pra uma uva atingir seu amadurecimento necessário para fazer vinho. A região de Champagne recebe, aproximadamente, 1.560 ao ano.

Curiosidades. Lembrando como encontram-se soluções para os problemas que, na hora, parecem não ter. A grama do vizinho parece mais verde, mas, nunca sabemos exatamente o que cada pessoa enfrenta e quais desafios ela carrega. Ter empatia, respeito e colaborar são lições que o mundo do vinho vem mostrando cada vez mais com suas batalhas e suas conquistas. A vida não para e, às vezes, queremos estourar a rolha, mas ainda não é o momento. Aprender a dançar conforme a música e abraçar o crescimento causado por forças maiores que as nossas é sabedoria. Com ela, brindamos a derrota e a vitória.

Tchin tchin

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).