Fa.vela aposta em consultoria com foco em inovação social

Rodolfo Rizzo
Rodolfo Rizzo

João Souza, cofundador da aceleradora e diretor da Futuros Possíveis: apostando na intersecção de inovação e diversidade

A aceleradora de negócios de Belo Horizonte Fa.vela parte para um novo capítulo de sua evolução, com o lançamento de uma consultoria com foco em inovação de impacto social protagonizada por pessoas da periferia.

Desde sua formação como organização social em 2014, a Fa.vela diz ter impactado mais de 2.300 pessoas e impulsionado mais de 260 projetos com o objetivo de causar mudanças sistêmicas na área socioambiental, com 500 empreendedores acelerados. Outras conquistas incluem a realização de 20 programas de letramento empreendedor e pré-aceleração em cerca de 25 municípios de Minas Gerais, Espírito Santo e Pará.

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Segundo João Souza, que criou a aceleradora com Tatiana Silva e Debora Silva, a ideia da Futuros Inclusivos surgiu em 2018 como forma de evoluir a abordagem da organização, com base na tese e valores estabelecidos pelos fundadores desde o início. Estas premissas incluem a construção e maturação de modelos metodológicos e tecnologias sociais próprias, a continuidade dos programas e a sustentabilidade financeira das atividades da organização:

“Quando nasceu a perspectiva de consultoria para o Fa.vela, começamos a estabelecer diálogos com alguns parceiros investidores que estavam dispostos a não fazer doações para a organização social, mas contratar serviços”, diz Souza, sobre as soluções “white-label” que a Futuros desenvolve para organizações como o Sebrae, Instituto Ânima de Educação e Fundação Renova.

A proposta da consultoria é, segundo Souza, apoiar empresas e organizações na construção de cenários para promover impacto social, diversidade e inclusão através de novas abordagens metodológicas e tecnológicas. Além de educação, a empresa tem como áreas de foco os segmentos de tecnologia, agricultura urbana e serviços financeiros.

No portfólio, estão ofertas que incluem desde produção de conteúdo, estratégia de marca e utilização de dados para promover transformação social até desenvolvimento de produtos, bem como serviços relacionados à diversificação de equipes: “Vemos muito consultorias de diversidade apoiando empresas na construção da seleção de profissionais, mas não tem um preparo. Parte-se de um pressuposto de que é só trazer pessoas diversas, mas existem várias outras problemáticas e questões estruturais a serem tratadas na empresa”, ressalta o empreendedor.

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Em um cenário em que diversas organizações de impacto social buscam uma fatia dos budgets corporativos de inovação, Souza afirma que um dos diferenciais da Futuros é a diversidade da própria equipe: “Qualquer empresa que busca contratar este tipo de serviço tem que ver esses valores refletidos dentro da estrutura dessas empresas, sejam consultorias ou organizações sociais. No caso do Fa.vela, nossa equipe é quase inteiramente formada de pessoas negras, da comunidade LGBTQI+ e ou têm uma trajetória em lugares anonimizados, favelas, periferias. Isso é uma mais valia, porque a gente traz um olhar muito próximo desse campo, desse território”, ressalta.

E continua: “Para além de representarem essa diversidade e inclusão, é preciso questionar também se, tecnicamente, essas equipes estão aptas para atender, com um olhar mais atencioso e afetivo a questões sociais para poder trabalhar a perspectiva do impacto, junto com a capacidade técnica de execução.”

No início da operação, os serviços de consultoria da Fa.vela eram oferecidos dentro da organização social, mas os sócios esbarravam na demora envolvida no acesso dos clientes a recursos advindos de incentivos fiscais. O modelo de negócios foi redesenhado para resolver esta complexidade e, neste ano, a Futuros Inclusivos se tornou uma empresa separada.

Souza explica que o modelo de entrega de serviços para empresas pode ser híbrido, começando com um projeto de consultoria, com uma continuação prevista com incentivos fiscais, para garantir a continuidade do projeto. “Começamos também a trazer perspectivas de relacionamento de longo prazo, de construções coletivas dentro da lógica do impacto sistêmico para estas conversas”, ressalta.

“Não basta somente que marcas, por exemplo, financiem um projeto de consultoria de curto prazo: elas tem a oportunidade de construir um legado muito maior para a sociedade”, acrescenta.

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Dentro de sua nova proposta comercial, a empresa belohorizontina também traz uma formação institucional, de “heads de futuros inclusivos, profissionais responsáveis por dar continuidade às iniciativas e valores de inovação introduzidos pela empresa.

“Por mais que as consultorias hoje consigam chegar cada vez mais perto dos clientes, a perspectiva de ter alguém dentro da estrutura faz muito sentido. Isso enfatiza a ideia de continuidade e a lógica é ter contratos de longo prazo para ter a manutenção dessa cadeira, que pode ser ocupada por alguém da empresa ou alguém do nosso time”, explica.

Para os próximos meses, Souza espera que a Futuros Inclusivos tenha conseguido ampliar seu trabalho com base na proposta do encontro entre inovação e diversidade e inclusão: “Quero poder verificar que que estas dimensões ocupam intersecções cada vez maiores [no mundo corporativo], de forma complementar e contrária a atual perspectiva excludente, que reflete as desigualdades do Brasil”.

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