Baixo apetite por LFTs (Tesouro Selic) não acende alarme prudencial, indica Campos Neto

REUTERS/Bruno Domingos
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Emissões do Tesouro têm se concentrado em LTNs (Tesouro Prefixado) de curto prazo

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou hoje (24) que não há um desequilíbrio em curso na indústria de investimento em meio à baixa procura por LFTs (Tesouro Selic), títulos que têm sido pouco demandados com a taxa básica de juros no patamar de 2% ao ano.

Como os juros reais para os detentores de LFTs caíram muito na esteira do afrouxamento monetário, esses papéis, muito utilizados por fundos de renda fixa, perderam atratividade e as emissões do Tesouro têm se concentrado em LTNs (Tesouro Prefixado) de curto prazo.

O encurtamento da dívida, resumiu Campos Neto, é o preço que está sendo pago pelo país por um fiscal um pouco mais desarrumado.

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“Nós entendemos que esse é um tema de rolagem de dívida. Ele vai ter uma implicação prudencial se ele desequilibrar a indústria de investimento ou alguma coisa nesse sentido. O que nós entendemos agora é que não é esse o processo que está em curso”, afirmou.”O que está em curso agora é um processo onde o mercado está pedindo mais prêmio para rolar a dívida do governo”, acrescentou ele.

O presidente do BC avaliou que a inclinação recente da curva de juros decorre de preocupações com a sustentabilidade fiscal e, mais especificamente, com qual será a política de saída dos estímulos dados durante a pandemia.

“Nós entendemos que uma coisa está ligada à outra. Não é um fenômeno de expectativa de inflação”, afirmou.

Perguntado se o BC poderia utilizar a prerrogativa de comprar títulos públicos para achatar essa inclinação – possibilidade aberta pela emenda constitucional do Orçamento de Guerra -, ele reiterou a visão de que a eventual compra seria para estabilizar o mercado em situação de disfuncionalidade, não sendo um instrumento de política monetária.

“Entendemos que existem outros instrumentos ainda a serem usados em política monetária”, disse.

Segundo Campos Neto, não é possível prever qual será o gatilho para a intervenção via compra de títulos públicos, sendo que o BC faz esse acompanhamento no dia a dia.

Tesouro vende 99% de títulos públicos ofertados

O Tesouro Nacional vendeu 99% da oferta de 35,25 milhões de títulos públicos em leilão de venda nesta quinta-feira encurtando os lotes de LTN, com alocação integral das NTN-F (Tesouro Prefixado com juros semestrais) e ofertando a menor quantia de LFT do ano.

O Tesouro vendeu 33.814.300 LTN (de oferta de 34 milhões) e todas as 1,15 milhão de NTN-F. Mas novamente houve baixa colocação de LFT – título cuja pressão no mercado secundário tem chamado atenção do mercado-, com venda de apenas 9.750 dos 100 mil papéis disponibilizados.

Apenas para a LTN abril 2021, o Tesouro ofertou 30 milhões de papéis (com colocação integral). Foi o maior volume desde a operação de 13 de agosto.

O DI janeiro 2027 caía 21 pontos-base, para 7,19% ao ano.

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Analistas ouvidos pela Reuters chamaram atenção negativa para o encurtamento da dívida, o que, sem maior confiança na trajetória das contas públicas num cenário de juros nas mínimas históricas, pode tornar ainda mais difícil a tarefa de rolagem da dívida ao longo de 2021.

Taxa de Juros

O Banco Central vem reforçando em suas comunicações que o espaço para reduzir ainda mais os juros, se existente, deve ser pequeno — o que repetiu nesta quinta-feira em seu Relatório Trimestral de Inflação.

O BC também reiterou que, apesar de uma assimetria em seu balanço de riscos para a inflação para o lado altista, não pretende subir a Selic a menos que o cenário para o avanço de preços na economia ou o regime fiscal sejam modificados.

Campos Neto reconheceu que, com a queda da Selic, há implicações para o funding da indústria financeira, na forma como os investidores agem e na distribuição dos recursos entre as modalidades de investimento.

Ele também mencionou a questão da taxa de custódia no novo ambiente de juros baixos.

“Vários produtos na indústria financeira são ou em taxa fixa ou em percentual do CDI. Na hora que você cai os juros, essa relação entre o custo do produto e o custo operacional ela é alterada. Então a gente está olhando de uma forma geral como o mercado financeiro está se adaptando a esses juros mais baixos”, disse. (Com Reuters)

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