Como o Google deve transformar a Ford

Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

Esse é um momento propício para investimentos em recursos menos conhecidos, como o Google Cloud

Na semana passada, executivos da Ford admitiram o óbvio: seus engenheiros de software nunca vão alcançar o nível do Vale do Silício e isso é uma grande oportunidade para os investidores.

A Ford e o Google assinaram um acordo de seis anos para levar a era digital aos futuros Mustangs, F-150s e Lincolns. A parceria também reabastece o modelo de negócios da Ford, enquanto o mercado de software segue tomando conta do mundo, impulsionando ações de empresas de tecnologia, como a Alphabet, controladora do Google.

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A parceria com grandes empresas de software não foi uma conclusão precipitada. Por muitos anos, as principais empresas automotivas investiram fortunas no desenvolvimento de softwares. Eles construíram sistemas comuns de infoentretenimento e interfaces touch desajeitadas para sistemas de aquecimento e ar condicionado. A experiência do usuário foi brutal e sem graça, mesmo em comparação com os antigos iPhones e Androids.

A fase de integração começou a valer há dois anos. Apple, Carplay e Android Auto passaram a aparecer como complementos para marcas como Chevrolet, Kia e várias outras. Foi um passo na direção certa, mas a integração com plataformas de software de alta tecnologia não resolveu os problemas mais importante. Os veículos não estavam realmente conectados a redes maiores, o que tornou difícil fortalecer o negócio como um todo.

O acordo com a Alphabet demonstra que a Ford nunca teve um plano para competir com os veículos da Tesla, Nio ou outras montadoras com visão de futuro.

A chave é a conectividade e a análise de dados que isso traz.

Os executivos da Ford vincularam o acordo com o Google a um programa de reestruturação avaliado em mais de US$ 11 bilhões. A empresa planeja otimizar as operações à medida que inicia a transição dos motores de combustão interna para os elétricos. Isso envolve reservar dinheiro para novas fábricas, equipamentos e desenvolvimento de sistemas. Agora está claro que o Google conseguirá riscar o último item de sua lista.

A gigante dos softwares baseada em Mountain View (Califórnia) levará o Google Maps, Assistant e sistemas do Android para os veículos da Ford a partir de 2023. A empresa também ajudará a desenvolver a infraestrutura de conectividade para atualizações de software e manutenção preditiva de serviço. Esses recursos de valor agregado são comuns na Tesla. O Google também ajudará a Ford a otimizar sua cadeia de suprimentos e produção usando inteligência artificial.

Esta é uma história de transformação digital, que também mostra as vantagens do Google. O Google Cloud conseguiu conquistar um excelente cliente devido sua habilidade em inteligência artificial e presença no Android, com seu sistema operacional móvel.

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Isso para dizer que players maiores, como Amazon e Microsoft, também não tenham vantagens exclusivas. A AWS opera o maior ecossistema de nuvem com redes estabelecidas de desenvolvedores e fornecedores terceirizados. A Microsoft leva sua plataforma de software empresarial dominante para a parceria, ao agregar o Office e o Windows em um incentivo poderoso.

A diferença com o Google é que, embora os negócios complementares sejam essenciais para o crescimento da Alphabet, eles são frequentemente esquecidos. A maioria dos investidores ainda avalia a empresa com base em seus ativos de publicidade. Pesquisa, Maps, Gmail e YouTube são excelentes negócios baseados em anúncios, mas essas marcas não são o futuro da Alphabet. A grande oportunidade de investimento é o potencial de negócios ocultos, como o Google Cloud.

Estima-se que o mercado global de serviços de computação em nuvem tenha atingido a marca de US$ 236 bilhões em 2020, segundo a Gartner, uma empresa de pesquisa de TI. Analistas prevêem que o mercado total relativo a esse setor chegará a US$ 355 bilhões em 2022.

O Google Cloud não precisa dominar o mercado de infraestrutura em nuvem. A empresa precisa apenas aumentar modestamente sua participação em um mercado de rápida expansão.

A Alphabet divulgou seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2020 na semana passada. Os analistas esperam que a empresa forneça uma análise detalhada do Google Cloud pela primeira vez. Uma nota do Credit Suisse previu que a empresa apresentará receita de US$ 3,64 bilhões no quarto trimestre.

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O momento em que a parceria foi firmada com a Ford sugere que as expectativas podem ser ainda maiores.

Investidores devem comprar ações da Alphabet a qualquer sinal de que seu valor foi reduzido. Com base na dinâmica dos negócios, as ações poderiam ser negociadas a pelo menos US$ 2.220 em 12 meses, um aumento de 15% em comparação ao preço atual de US$ 1.931.

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