Dívida bruta bate novo recorde em janeiro a despeito de superávit primário histórico

REUTERS/Bruno Domingos
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Considerando também as despesas com juros, o setor público teve superávit nominal de R$ 17,928 bilhões em janeiro

A dívida bruta do país deu novo salto em janeiro e fechou em R$ 6,670 trilhões, ou 89,7% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar recorde, mostraram dados do Banco Central hoje (26).

A alta da dívida, que chegou ao final de 2020 em 89,2% do PIB, se deu a despeito de o setor público ter registrado em janeiro superávit primário recorde para o mês, de R$ 58,375 bilhões, saldo que superou a expectativa de analistas e também as despesas com juros no mês.

Para o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o resultado favorável das contas públicas em janeiro reflete um efeito sazonal e não altera a tendência ainda preocupante do quadro fiscal, evidenciada pela alta constante da dívida.

“Embora o resultado de janeiro seja bastante positivo, a situação fiscal ainda é bastante delicada e segue precisando de mais atenção”, afirmou Rocha a jornalistas.

A expectativa de analistas era de um superávit primário de R$ 50 bilhões em janeiro, segundo pesquisa da Reuters.

Em janeiro, os gestores públicos tradicionalmente têm mais dificuldade em liberar despesas. Neste ano, a União está ainda mais amarrada porque o Orçamento de 2021 não foi aprovado pelo Congresso, o que restringe os gastos que podem ser aprovados mensalmente.

Considerando também as despesas com juros, o setor público teve superávit nominal de R$ 17,928 bilhões em janeiro.

No acumulado em 12 meses, contudo, o país acumula déficit primário de 9,4% do PIB e um rombo nominal de 13,7% do PIB, refletindo as despesas com medidas de enfrentamento à pandemia em 2020, que agravaram um quadro fiscal já deficitário.

A dívida líquida, que computa também os ativos do setor público, recuou no mês passado para 61,6% do PIB, de 63% do PIB em dezembro, respondendo a um aumento do valor em reais das reservas internacionais do país diante da desvalorização de mais de 5% do real frente ao dólar em janeiro. (Com Reuters)

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