Ibovespa acompanha Nova York e despenca com escalada nos Treasuries

O Ibovespa terminou o dia em forte queda, perdendo 2,95% aos 112.256 pontos, na esteira da brusca desvalorização observada também em Wall Street e do iminente retorno do auxílio emergencial sem contrapartidas fiscais. Do lado doméstico, o Senado Federal deve votar na próxima quarta-feira, dia 3, o texto da PEC Emergencial, que abre caminho para concessão do auxílio. O número de parcelas e o valor do benefício serão definidos pelo Executivo.

Na análise de Rossano Oltramari, estrategista e sócio da 051 Capital, a indefinição sobre o forma de financiamento do auxílio emergencial tem colaborado para a insegurança dos investidores. “O secretário do Tesouro, Bruno Funchal, disse hoje que o auxílio irá impedir o descontrole das contas públicas e dará credibilidade à economia brasileira. Ainda assim, a pressão política e a falta de uma decisão definitiva continuam deixando os investidores preocupados”, avalia.

No exterior, o avanço nos rendimentos dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos, para a faixa de 1,5% no Treasury de 10 anos, derrubou os principais índices acionários. Os juros mais altos tornam os treasuries dos EUA – considerados o ativo mais seguro do mundo – ainda mais interessantes para os investidores, o que estimula o desmonte de carteiras em outros mercados, como as ações e moedas emergentes. O índice Nasdaq Composite despencou 3,52% aos 13.119 pontos no fechamento, a maior baixa percentual diária em quatro meses.

“A alta (nos títulos públicos dos EUA) desta quinta-feira, atingindo o maior nível desde fevereiro do ano passado, eleva o prêmio exigido pelo mercado para a tomada de risco no mercado de renda variável e, consequentemente, reduz o potencial de valorização das ações. Com boa parte das bolsas nas máximas, esse aumento da percepção de risco culmina em uma realização de lucros, com os investidores em busca de um melhor nível de preço para ter um nível de risco x retorno adequado”, explica Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

A pressão nos rendimentos, que vinha desacelerando nos últimos dias, se intensificou nesta quinta, mesmo após declarações do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, assegurando que os juros permanecerão baixos nos EUA.

O dólar terminou o dia em firme alta contra o real, ganhando 1,70% a R$ 5,51 na venda, apesar de duas intervenções do Banco Central na sessão no mercado de câmbio, com as operações locais replicando um rali da moeda norte-americana no exterior em meio à escalada das taxas de juros nos Estados Unidos.

No total, a autoridade monetária brasileira ofertou na sessão US$ 1,535 bilhão à vista, com liquidação em 1º de março, o maior valor de venda a ser liquidado no mesmo dia desde 28 de abril do ano passado. O BC não fazia leilão de dólar à vista desde dezembro de 2020. (Com Reuters)

DESTAQUES DO IBOVESPA

Maiores Altas
MULT3: +0,45% a R$ 19,96
VIVT3: +0,29% a R$ 44,52
FLRY3: +0,00% a R$ 28,97

Maiores Baixas
WEGE3: -8,30% a R$ 79,50
UGPA3: -7,52% a R$ 19,68
CSNA3: -6,70% a R$ 34,66
EMBR3: -6,34% a R$ 12,27
PCAR3: -6,18% a R$ 84,75

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