Venda do grupo peruano Aenza pode ser cancelada por atraso no acordo de leniência

FernandoDonasci/Reuters
FernandoDonasci/Reuters

O fundo comprador afirmou que, sem um acordo em seis semanas, ele poderá desfazer a compra de 25% do conglomerado

O atraso nas negociações do acordo de leniência do conglomerado peruano Aenza está ameaçando sua venda ao fundo de private equity no IG4 Investimentos, segundo três pessoas com conhecimento direto do assunto.

O fundo, que assinou em novembro de 2019 um acordo para comprar 25% no conglomerado das famílias fundadoras e alguns executivos, está deixando claro que pode desfazer o negócio se não for assinado um acordo de leniência em seis semanas, de acordo com as fontes, que pediram anonimato.

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Os atrasos ocorreram por diferenças entre o governo peruano e a empresa, além da pandemia do coronavirus, segundo uma pessoa com conhecimento das negociações da colaboração. O valor da multa só será determinado quando acabarem as negociações sobre as acusações criminais, segundo a fonte.

Em resposta por e-mail, a Aenza afirma que é “compreensível” que o IG4 Capital considere o cancelamento do negócio, dado o atraso do acordo. O presidente da empresa, Luis Diaz Olivero, recentemente afirmou que, após fechar o acordo, o grupo quer vender US$ 90 milhões em bônus conversíveis para continuar operando. A procuradoria peruana disse que não pode fazer comentários sobre negociações em andamento.

Uma eventual desistência do negócio pelo IG4 colocaria em risco a sobrevivência da Aenza e de seus 17 mil empregos. O IG4 havia decidido transformar a construtora em uma plataforma para operar projetos de infraestrutura em vários países da América Latina, como estradas e aeroportos. Porém, o fundo planejava vender a empresa de construção e já havia contatado alguns interessados, segundo as fontes.

A Aenza, novo nome do grupo Grana y Montero, foi sócio do grupo Odebrecht no Peru em projetos de infraestrutura e foi acusado de subornar políticos, incluindo ex-presidentes do país. O grupo começou a ser investigado por corrupção em 2017. A Odebrecht também mudou recentemente seu nome para Novonor.

Quando a aquisição foi assinada, o IG4 comprou as ações e direitos de voto das famílias fundadoras da Grana y Montero, e se comprometeu a comprar as ações dos minoritários depois que algumas condições fossem cumpridas. A assintura do acordo de leniência com autoridades peruanas era uma das condições para proteger os compradores do pagamento de multas e outras consequências do escândalo de corrupção. (com Reuters)

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