Dívida bruta chega a marca recorde de 90% do PIB em fevereiro

Priscila Zambotto/Getty Images
Priscila Zambotto/Getty Images

O déficit primário foi de R$ 11,700 bilhões, bem abaixo do rombo registrado em fevereiro do ano passado, de R$ 20,901 bilhões

A dívida bruta do setor público brasileiro atingiu o patamar recorde de 90% do PIB em fevereiro. O valor foi impulsionado mais uma vez pelo crescimento da colocação de títulos no mercado pelo Tesouro, visando cobrir o déficit das contas públicas, e também pelo aumento, em reais, do estoque da dívida externa como resultado da desvalorização cambial.

O nível da dívida bruta, indicador fiscal acompanhado mais de perto por analistas, é o maior da série do Banco Central, iniciada em 2006, mostraram dados divulgados hoje (31) pela autoridade monetária, e se compara a uma dívida de 89,4% em janeiro.

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No mês passado, o setor público voltou a registrar déficit na sua conta primária – que não inclui receitas e despesas com juros -, após um superávit recorde em janeiro, mês em que tradicionalmente o saldo é positivo.

O déficit primário foi de R$ 11,700 bilhões, bem abaixo do rombo registrado em fevereiro do ano passado (R$ 20,901 bilhões) e também inferior ao projetado por analistas em pesquisa da Reuters (R$ 23,950 bilhões).

Dados do Ministério da Economia mostraram que as receitas da União cresceram em fevereiro acima das despesas, alavancadas pela recuperação da economia e por arrecadações extraordinárias.

A perspectiva para as contas, no entanto, segue envolta em incertezas diante do aumento de medidas de fechamento da economia devido ao agravamento da pandemia no país, além da crescente demanda por despesas para o enfrentamento da crise e do imbróglio em torno do Orçamento de 2021, que ainda não foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.

No acumulado em 12 meses, o rombo primário equivale a 9,23% do PIB, recuo em relação ao indicador de janeiro, que estava em 9,39% . Já as despesas com juros seguiram em alta em fevereiro, totalizando R$ 29,197 bilhões, aumento de R$ 700 milhões em relação ao mesmo período do ano passado, sob o impacto da aceleração da inflação – que corrige parcela da dívida em títulos – e do crescimento do proprio estoque da dívida.

A dívida mobiliária (em títulos) em mercado do governo geral aumentou em R$ 116 bilhões em fevereiro sobre janeiro, para R$ 4,494 trilhões, contribuindo para o aumento da dívida bruta total. Já o estoque da dívida externa teve alta de quase R$ 30 bilhões com a desvalorização cambial, indo a R$ 858,4 bilhões. (Com Reuters)

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