Em véspera de feriado, Ibovespa recua com orçamento e correção em NY

O Ibovespa encerrou em queda de 0,72% aos 120.061 pontos na sessão de hoje (20), com Petrobras e Vale entre as pressões negativas, alinhado ainda ao desempenho das ações em Nova York que engataram o segundo dia de realização de lucros. A sessão foi marcada ainda por cautela dos agentes em função do feriado de Tiradentes, que fechará a Bolsa brasileira amanhã enquanto os mercados no exterior terão funcionamento regular.

No contexto doméstico, os investidores digeriram hoje a solução encontrada para o impasse do orçamento. Ontem, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei (PLN 2/2021), que permite ao governo mais de R$ 100 bilhões em gastos fora da meta fiscal e do teto de gastos de 2021.

O texto, que altera a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), permite a abertura de crédito extraordinário para financiar fora da meta fiscal despesas emergenciais com saúde e socorro a empresas privadas. O governo poderá ainda transferir recursos de gastos discricionários para recompor despesas obrigatórias.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje que o entendimento com o Congresso em torno do orçamento deste ano atende ao duplo compromisso do governo com a saúde e a responsabilidade fiscal. “Esse duplo compromisso significa que gastos recorrentes continuam sob o teto, exatamente porque eles exprimem esse compromisso com a responsabilidade fiscal”, disse ministro.

A percepção negativa do mercado à manobra fiscal foi sentida nos juros futuros, que fecharam em firme alta com a piora no contexto de riscos. O contrato DI para janeiro de 2022 subiu para 4,67%, ante 4,62% de ontem.

O dólar fechou em ligeira alta nesta terça-feira, subindo 0,15% e negociado a R$ 5,55 na venda, com piora nos mercados externos enquanto os operadores domésticos analisavam os impactos das mudanças no orçamento de 2021.

Para Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, a solução do orçamento foi “a possível” e, de alguma forma, eliminou os maiores temores do mercado sobre excessiva flexibilidade fiscal. “Os juros estão sendo corrigidos, a atividade está retomando, as vacinas vão acelerar e o Brasil gera dólares. Não há motivo em termos de fundamento macro para o real estar nesse patamar”, disse, prevendo o dólar a R$ 5,25 no curto prazo e abaixo de R$ 5 até o fim do ano.

As atenções de Wall Street seguem voltadas à temporada de balanços do primeiro trimestre de 2021, com grande expectativa dos investidores em ações especialmente sensíveis à retomada da economia, como o varejo. No fechamento, o Dow Jones perdeu 0,75% aos 33.821 pontos, o S&P 500 recuou 0,68% aos 4.134 pontos e o Nasdaq cedeu 0,92% aos 13.786 pontos.

O dia em Nova York foi especialmente negativo para as ações das companhias áreas, afetadas por resultados da United Airlines abaixo das expectativas do mercado. Os papéis da United recuaram 8,5% na sessão de hoje, acompanhadas de perdas nas ações da American Airlines e Delta Air Lines que perderam 5,48% e 3,68%, respectivamente.

No contexto político, a Casa Branca segue em negociação com os parlamentares para aprovação do pacote de infraestrutura. Ontem, o presidente Joe Biden recebeu um grupo bipartidário para discutir ajustes no texto, entre eles uma elevação menor na alíquota de imposto corporativo, para 24% ante os 28% propostos pelo governo. Atualmente, a alíquota corporativa é de 21%. (Com Reuters)

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