Abraços cautelosos: Reino Unido e Nova York anunciam reaberturas e flexibilizações

Alexander Spatari/Reuters
Alexander Spatari/Reuters

A próxima semana será de ares renovados para o Reino Unido no dia 17, e Nova York no dia 19

Nos Estados Unidos, os vacinados em duas doses já se aproximam da normalidade. Na quinta-feira (13), o CDC (Centro de Controle de Prevenção e Doenças) divulgou novas orientações sobre a Covid-19 e afirmou que pessoas 100% imunizadas não precisam mais usar máscaras depois de duas semanas da segunda dose, seja em ambientes abertos ou fechados. O distanciamento social também é dispensável.

O estado de Nova York, no entanto, preferiu a cautela e manteve a orientação do uso de máscaras em ambientes fechados.

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Do outro lado do oceano, o Reino Unido está na expectativa pela volta do abraço – embora o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tenha pedido cautela na aproximação e que a população não jogue os cuidados ao vento. “Quem quer que seja que eu abrace, posso garantir, será com cuidado e restrição.”

Na última segunda-feira (10), o primeiro dia sem mortes por Covid-19 na Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte desde julho, Johnson confirmou uma série de mudanças direcionadas a uma maior flexibilização das restrições. A terceira etapa do plano de afrouxamento do lockdown britânico demonstra uma maior confiança governamental na conjuntura sanitária do país e um olhar mais positivo sobre a vacinação em massa. Ainda assim, o líder britânico afirmou que o distanciamento social precisa continuar em locais de trabalho, lojas e restaurantes.

A flexibilização pública entrará em vigor, efetivamente, na segunda-feira (17), juntamente com maiores cedências em regras de viagens. Bares e restaurantes poderão voltar a atender seus clientes em ambientes fechados, e os casamentos poderão ter até 30 convidados. Ao ar livre, aglomerações com mais de 30 pessoas permanecem proibidas.

As visitas domiciliares em asilos serão facilitadas, com residentes capazes de receber até cinco visitantes e maior liberdade para fazer visitas de baixo risco. As máscaras para os alunos não serão mais recomendadas em salas de aula ou em áreas comuns em escolas secundárias e universidades.

Teatros, salas de concerto, centros de conferências e estádios esportivos podem reabrir, com eventos maiores nesses ambientes podendo ser retomados com limites de capacidade.

Segundo pesquisa realizada pela startup Our World In Data, em 12 de maio, cerca de 28,3% da população do Reino Unido se encontra totalmente vacinada, o que representa mais de 18,8 milhões de pessoas. Cerca de 35,9 milhões de britânicos (mais de metade da população) já tomaram ao menos uma dose da vacina contra o vírus.

Os quatro sistemas públicos que compõem o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido reduziram o nível de alerta da Covid-19 de quatro para três, indicando que o vírus está em “circulação geral”, mas não mais aumentando pela primeira vez desde setembro de 2020.

O coronavírus provocou cerca de 128 mil óbitos no Reino Unido, o país mais afetado da Europa. Porém, atualmente as taxas de infecção estão em queda para o nível mais baixo desde setembro, enquanto o volume de internações também continua a cair, atingindo níveis baixos em algumas áreas, de acordo com Downing Street.

Com uma eficiente vacinação contra o Covid-19 no Reino Unido, eventos com aglomerações dão o primeiro passo para voltar a rotina da capital da Inglaterra, Londres. Um dos primeiros eventos teste ocorreu na última terça-feira (11), com um público de 4 mil pessoas.

O BRIT Awards, uma premiação artística britânica do ramo musical, aconteceu na O2 Arena em Peninsula Square, sem distanciamento social nem uso de máscaras, e teve a nativa Dua Lipa como a maior vencedora da noite. Para que isso fosse possível, todas as pessoas presentes no evento tiveram que testar negativo para Covid-19. Após o festival, todos os participantes tiveram que refazer testes de covid pra deixar o evento com segurança.

O evento de premiação é uma tentativa de viabilizar a retomada das atividades de entretenimento no pós-pandemia em Londres, como festas e shows.

Reabertura em Nova York

Já nos Estados Unidos, o estado de Nova York vem aumentando o limite de capacidade dos estabelecimentos comerciais, em um movimento progressivo até a próxima quarta-feira (19), quando será permitida a ocupação de 100%. Os negócios serão limitados apenas por medidas de distanciamento social, que exigem que as pessoas permaneçam separadas por cerca de 2 metros, além do uso obrigatório de máscaras.

O governador definiu em abril que suspenderia o toque de recolher de bares e restaurantes em maio. Para refeições ao ar livre, o limite de horário expira em 17 de maio, e para áreas internas, em 31 de maio. A partir da próxima quarta-feira (19) o estado também irá aumentar o limite de reuniões sociais em ambientes internos para 50 pessoas, enquanto grandes instalações, como eventos esportivos, a capacidade mudará para 30%.

O governador Andrew Cuomo pontua que “o aumento das taxas de vacinação e a queda nas taxas de infecções e hospitalizações tornaram este momento possível”, ele anunciou na última quarta-feira (12) que mais de 17 milhões de doses já foram administradas no estado. No mesmo dia, atingiram a marca de 50% da população adulta completamente vacinada, o que representa 7,89 milhões de pessoas com mais de 18 anos, enquanto isso, 48,8% do total da população de NY já tomou ao menos uma dose.

Paralelamente, o prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, afirmou que todas as empresas da cidade serão reabertas em 1° de julho. Isto é: lojas, restaurantes, cinemas e academias operando em plena capacidade de funcionamento. Na Times Square, o coração de Nova York, os outdoors já se iluminaram na última terça-feira (11), anunciando a volta dos espetáculos a partir de setembro, após 18 meses de paralisação.

Os funcionários municipais começaram a retornar aos locais de trabalho neste mês. Ainda assim, os funcionários do setor privado seguem, majoritariamente, em trabalho remoto. Apenas 10% dos trabalhadores de Manhattan haviam retornado às suas mesas no início de março, de acordo com uma pesquisa da Partnership for New York City.

Em meio aos avanços, de Blasio anunciou na última terça-feira que a imunização para turistas na cidade foi autorizada pelo governo estadual. A ideia do prefeito é instalar vans em diferentes pontos turísticos da cidade para vacinar visitantes com o imunizante da Johnson & Johnson, que tem dose única.

O prefeito se solidarizou em especial com os brasileiros. “Meu coração está com os brasileiros. Há tanta dor, tanta dificuldade”, disse em coletiva de imprensa. No entanto, viajantes que estiveram nos últimos 14 dias no Brasil seguem proibidos de entrar nos Estados Unidos.

Expectativas para o Brasil

O banco UBS espera que o Brasil alcance a normalização das atividades econômicas “no mais tardar” em outubro, baseado no banco de dados do Ministério da Saúde, que disponibiliza informações das internações diárias e da vacinação. De acordo com o relatório, o banco vê uma queda significativa em hospitalizações, entradas em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e mortes no Brasil a partir do final deste mês ou início de junho.

Segundo o banco, 90% da população com mais de 60 anos estará vacinada com duas doses em maio e terá um alto grau de resistência ao vírus em junho, o que reduzirá significativamente a necessidade de restrições adicionais de mobilidade. Além disso, a vacinação da população com mais de 30 anos permitirá um comportamento econômico normal ou muito próximo disso até setembro, e o último trimestre de 2021 deverá permitir uma rápida retomada da atividade.

O estudo conclui que a imunidade de rebanho, que seria mais de 70% da população totalmente vacinada, será atingida antes do verão. O UBS defende que não haverá terceira onda no Brasil, e que o risco de derrapagem fiscal seria significativamente reduzido nesse ambiente. Por fim, o relatório afirma que essa especulação “também está em linha com as expectativas de valorização da moeda e alguma redução na inflação corrente”.

(Com Reuters)

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