
Nos últimos 75 anos de história da NBA, principal liga de basquete profissional dos Estados Unidos, o Los Angeles Lakers protagonizou 39 finais de campeonatos e o Boston Celtics esteve em 33. Os números são resultado, entre outros fatores, de equipes formadas por ótimos atletas, uma estratégia que é replicada em outro segmento e por atores distantes dos jogos da NBA: os fundos multifatores.
A comparação é parte da estratégia adotada pela Avantgarde Asset para explicar o funcionamento do seu fundo. “Para se formar um time de qualidade é preciso escolher entre os mais altos, mais fortes e mais rápidos, criando, assim, provavelmente uma das melhores equipes. A gente usa o mesmo raciocínio na seleção de ações para construir o portfólio”, explica Luciano França, sócio-fundador da gestora de factor investing que escolhe ativos campeões para a composição da carteira. O diferencial? A tomada de decisão é realizada por algoritmos, sem qualquer interferência humana no processo. Métricas como o ROE (Retorno sobre o Patrimônio), alavancagem, histórico de resultados, e relação risco-retorno são alguns dos pontos considerados pelos modelos.
Outra grande diferença entre um gestor que utiliza seu conhecimento pessoal e a equação matemática utilizada pela Avantgarde é que “nós conseguimos ter uma base científica e histórica de 70 anos de cada papel, podendo levantar quais são as melhores ações em diversos contextos. Esse cálculo se torna quase impossível para um gestor. Os multifatores também não sofrem com o viés comportamental humano, que acaba impactando negativamente os investimentos”, avalia França. “O meu fundo é como se eu tivesse vários analistas ao mesmo tempo.”
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No mercado quantitativo, existem dois estilos de cálculos, o primeiro são os black box, em que o gestor não consegue mostrar quais os algoritmos utilizados, apenas afirmando tratar-se de modelos matemáticos baseados em fundamentos teóricos e acadêmicos, obrigando o investidor a acreditar no resultado. O segundo são os glass box, em que é possível identificar as metodologias que justificam as escolhas por cada ação. França argumenta que essa é uma das maiores dúvidas entre os investidores: quais as técnicas utilizadas por trás do multifator.
Voltando à analogia ao esporte, enquanto as equipes precisam pagar grandes quantias para substituir um atleta, os algoritmos fazem isso conforme programado e gratuitamente. O fundo da Avantgarde troca de 7 a 10 ações por mês, processo chamado de balanceamento de carteira. Já os três fundos multifatores da Mint Capital podem fazer substituições de acordo com a estratégia de cada ativo “Atualmente, temos mudanças mensais, trimestrais e anuais”, conta Cássio Beldi, sócio-gestor da gestora.
As alterações são pensadas com o objetivo de superar a rentabilidade dos principais benchmarks do mercado, como o Ibovespa ou o Índice Brasil (IBX). O fundo da Avantgarde oferece um resultado de 24,65% conta apenas 2% do ibx. Já na V8 Capital, o fundo multifator V8 Veyron Smart Beta, apresentou rentabilidade de 21,66% + Ibovespa no primeiro trimestre deste ano, segundo o sócio da gestora, Gilberto Barbosa.
Para Rogerio Oliveira, diretor de risco e modelagem da Constância Investimentos, a principal vantagem por trás dos multifatores é a objetividade, ou seja, não ser afetado “pelo desempenho desfavorável de ativos e não possuir apego por exposições”, além da abrangência na quantidade de informações processadas.
“Para se realizar nossa análise, seria necessário juntar dezenas de analistas para cobrir quase 300 empresas”, comenta Oliveira, acrescentando ainda que a velocidade na incorporação das informações é outro ponto positivo desses fundos, “Quando a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] publica um documento, ele é importado automaticamente e todos os indicadores de risco são calculados até o dia seguinte para entendermos qual deve ser o peso da empresa no portfólio”, explica.
Considerando as diferenças técnicas dos fundos multifatores, a Forbes conversou com quatro gestoras para entender a atuação de cada uma e seus produtos.
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