Desprezo de Buffett por metas ESG incomoda Wall Street

Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Resistência do bilionário Warren Buffet à pautas ESG está dando dor de cabeça aos investidores da Berkshire Hathaway

Os acionistas da Berkshire Hathaway podem aceitar a hostilidade de Warren Buffett ao bitcoin, empresas de aquisição de ativos e apostas arriscadas no aplicativo de investimentos Robinhood. Mas quando se trata de ESG (metas ambientais, sociais e de governança corporativa), muitos estão traçando um limite.

Buffett e o conselho de administração da Berkshire se opuseram a duas resoluções de acionistas durante a reunião anual de investidores na semana passada. As propostas cobravam relatórios anuais sobre como as empresas da companhia estão respondendo aos desafios das mudanças climáticas, bem como relatórios sobre diversidade e inclusão no local de trabalho.

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Buffett prevaleceu, apoiado por diretores que junto com ele controlam 35% de poder de voto na Berkshire. Mas alguns dos principais investidores da companhia, incluindo a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, foram parte dos cerca de 25% dos acionistas da empresa que o desafiaram e votaram a favor das propostas.

O fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, o maior fundo público de pensão dos EUA, e a Federated Hermes, a gestora com US$ 625 bilhões de dólares em ativos sediada em Pittsburgh, votaram pela aprovação do relatório ambiental.

É uma tendência crescente. Propostas relacionadas a metas ambientais na reunião de acionistas da Berkshire Hathaway de 2018 conseguiram não mais que 12% de apoio dos investidores, bem como uma resolução sobre diversidade no ano passado.

Conforme mais fundos de Wall Street ganham mandatos para considerar causas ESG, especialistas em governança corporativa afirmam que a pressão sobre Buffett vai crescer nos próximos anos.

“Mesmo um investidor com a fama de Buffett não está imune a tais tendências do mercado”, disse Ric Marshall, diretor-executivo para ESG da MSCI Inc.

Representantes da Berkshire Hathaway e de Buffett não comentaram o assunto.

Em oposição às propostas dos acionistas, o conselho de administração da Berkshire Hathaway argumentou que o modelo descentralizado da companhia torna difícil a aplicação de modelos padronizados de clima e diversidade em suas unidades operacionais.

Buffett, um dos maiores filantropos do mundo, afirmou a investidores durante a reunião que a cobrança de relatórios ESG de todas as subsidiárias seria “asinino” porque muitas são pequenas e a Berkshire Hathaway permite que elas sejam comandadas de forma independente.

Ele afirmou ainda que não gosta de fazer “julgamentos morais” sobre negócios e que é “muito difícil” decidir quais beneficiam a sociedade.

A Berkshire Hathaway não está sozinha. Outras grandes empresas, incluindo Citigroup e Amazon.com, têm resistido a apelos ESG de acionistas, considerando-os impraticáveis ou inferiores aos que já afirmam praticar.

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A presidente-executiva da Whistle Stop Capital, Meredith Benton, uma consultora do grupo de acionistas “As You Sow” (Como você semeia, em tradução), responsável pela proposta sobre diversidade na Berkshire Hathaway, afirmou que a companhia se destaca por demonstrar pouca iniciativa sobre metas ESG e que Buffett mostrou “falta de liderança”.

“Mesmo Buffett não pode ignorar o que seus investidores estão pedindo”, disse Benton.

Em nota em seu site, a BlackRock criticou a BerkshireHathaway por não mostrar adequadamente como seu modelo de negócios será “compatível com a economia de baixo carbono” e por não revelar informações que possam ajudar os investidores a entender seus esforços de promoção da diversidade.

Tim Youmans, um dos líderes da Federated Hermes, afirmou que o vice-presidente do conselho da Berkshire, Greg Abel, pareceu mais focado em mudanças climáticas na reunião de acionistas que seu chefe. Buffett disse esta semana que Abel será o presidente-executivo da empresa se ele deixar o posto.

Abel afirmou na reunião de investidores que todas as usinas de energia a carvão da Berkshire vão fechar até 2049 e que a divisão de eletricidade da companhia já fez uma grande transição para energia renovável.

Youmans disse que o comentário deu esperança de que a companhia será mais aberta a questões ESG, mas acrescentou que “estamos buscando informações e metas, não esperança”. (Com Reuters)

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