China intensifica repressão a criptomoedas com censura e nova restrição à mineração

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Preços do bitcoin, ainda assim, sustentam alta, após legalização em El Salvador

A repressão às criptomoedas na China ganhou um novo capítulo na quarta-feira (9), com outra província do país decretando o fechamento de todas as operações de mineração de criptos, poucas horas depois de populares ferramentas de busca começarem a censurar as pesquisas online pelas três das maiores exchanges do país. Os preços do bitcoin, no entanto, estão disparando após sua histórica legalização em El Salvador – e na esperança de que outros países sigam o exemplo.

O bitcoin iniciou a última semana no nível dos US$ 36.430 no exterior e bateu o menor nível dos últimos sete dias na terça-feira (8), aos US$ 31.295. Já na quarta (9), com a notícia de El Salvador, o token tomou o rumo da recuperação e opera em torno dos US$ 37.333 nesta sexta-feira.

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Na quarta-feira, Qinghai, na China, se tornou pelo menos a terceira província do país a tomar medidas para conter as operações de mineração de criptomoedas devido a preocupações ambientais, impedindo que as autoridades locais criassem ou permitissem projetos de mineração de moedas digitais.

Em comunicado, a província disse que conduziria inspeções de acompanhamento em centros de supercomputação selecionados aleatoriamente para garantir o cumprimento e punir qualquer pessoa que violar a proibição.

A decisão veio depois de relatos de que o Baidu, o mecanismo de busca mais popular do país, e o site de mídia social Weibo, começou a bloquear as buscas pelas exchanges de criptomoedas OKEx, Huobi e Binance, que é a maior do mundo em volume.

“De acordo com as leis e regulação, os resultados desta pesquisa não estão disponíveis”, era a mensagem que usuários relataram receber ao pesquisar qualquer uma das exchanges no Weibo.

Apesar das preocupações regulatórias chinesas quebrarem os mercados de cripto no mês passado, os tokens se recuperaram amplamente na tarde de ontem (9), com os preços do bitcoin disparando 12% nas últimas 24 horas, enquanto os investidores elogiavam a votação de El Salvador para tornar o maior token do mundo uma forma de moeda legal.

“Alguns países maiores e mais poderosos estão tentando anular ou desacelerar a inevitável mudança para moedas digitais sem fronteiras, mas esta pequena nação centro-americana adotou a maior de todas”, Nigel Green, CEO do DeVere Group, consultor de US$ 12 bilhões em fortunas, escreveu em uma nota. “El Salvador fez história e podemos esperar que outros países em desenvolvimento o sigam.” Outros países latino-americanos já sinalizaram apoio a medidas semelhantes.

No mês passado, as autoridades chinesas geraram preocupações que derrubaram o mercado de criptomoeda, com uma série de avisos visando o trading e a mineração. Em 18 de maio, três grupos da indústria chinesa que supervisionam o setor financeiro anunciaram que o país iria reprimir as instituições financeiras que conduzem negócios de criptomoeda ou oferecem serviços relacionados à luz da volatilidade do mercado, dizendo que os tokens digitais “não têm valor real de suporte” e os preços são “extremamente fáceis” de manipular.

Na semana seguinte, Pequim disse que iria “restringir a atividade de mineração e comércio de bitcoins” para alcançar estabilidade financeira, reduzindo a disseminação de criptomoedas. Além de Qinghai, duas outras províncias – Mongólia Interior e Sichuan – anunciaram políticas para restringir ou proibir a mineração. Os mercados despencaram cerca de 30% em meio às advertências e, desde então, aumentaram cerca de 15%.

O mercado de criptomoedas despencou mais de 10% em meados de abril, depois que apagões na China causaram quedas massivas nas taxas de mineração de bitcoins, que os especialistas dizem estar correlacionadas aos preços. Desde então, essas taxas se recuperaram, mas cerca de 75% da mineração mundial ocorre na China, o que significa que proibições generalizadas podem abalar o mercado novamente.

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