Do glamour das festas ao conforto do homewear: a transformação da Karin Guerekmezian Couture na pandemia

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A estilista recalculou a rota da Karin Guerekmezian Couture, adaptando a exclusividade da moda festa sob medida para coleções cápsula de homewear

Karin Guerekmezian sempre esteve envolvida com a moda. Desde a infância, quando convivia com a costureira que produzia as peças para a família na casa da avó, até os seis anos em que trabalhou na Daslu. Mas o match foi certeiro quando decidiu costurar o próprio vestido para um grande casamento de um conhecido. “Eu nunca fui tão abordada em uma festa. Todos perguntavam quem tinha feito o meu vestido. Lá pela quinta pergunta, revelei que eu tinha criado o modelo”, relembra a estilista sobre o início da Karin Guerekmezian Couture.

Logo os pedidos das amigas e conhecidas foram chegando. Nada profissional, tudo pela amizade. Durante seis meses, tocou a criação dos modelos com o cargo de gerente de produtos na Daslu, até que decidiu deixar o emprego e investir na produção sob medida. No início, criava vestidos para festas: de madrinhas e mães dos noivos, passando pelas daminhas, até o importante momento de fazer a sua primeira noiva. Depois, graças ao boca a boca e a qualidade dos seus produtos, chegaram os pedidos para vestidos de noivado e modelos mais casuais, como os cocktail dresses. De forma despretensiosa, com qualidade e preço competitivo, Karin conquistou sua carteira de clientes.

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Com o foco no trabalho sob medida, as peças da marca são exclusivas e personalizadas. Uma criação a quatro mãos, com a cara das clientes, especialmente moldados para um momento único e especial, com influência das tendências observadas nas semanas de moda internacionais. “A mágica está no sob medida, no personalizado. Não é só um vestido, estou vendendo um sonho. A cliente precisa se ver representada ali”, afirma a empresária. Segundo ela, a ideia de abrir uma loja em shopping ou investir no varejo nunca passou por sua cabeça, apesar dos pedidos das amigas, justamente pela importância que dá aos itens personalizados. “Meu maior defeito é a minha maior qualidade. Sou perfeccionista e é difícil chegar ao nível que quero entregar em larga escala”, pontua Karin.

Até o início da pandemia de Covid-19. Com o isolamento social, as festas foram adiadas e, em alguns casos, canceladas. Karin precisou recalcular a rota rapidamente, já que o seu mercado foi interrompido. Com reserva financeira para segurar as pontas pelo tempo que imaginava que durariam as restrições – acreditava que não passariam de seis meses -, a empresária foi para o interior. De uma necessidade sua, enquanto consumidora, nasceu a linha de produtos de homewear. “Me vi usando muitas peças de moletom, roupas do meu marido, itens confortáveis. Conversando com a família, surgiu a ideia de criar uma coleção, mas no início eu relutei. Meu know-how era moda festa, não tinha experiência com malharia, é um universo completamente diferente”, explica. Com o incentivo da família, montou uma coleção baseada no que queria comprar e usar naquele momento incerto da pandemia.

Pedro Campos
Pedro Campos

Em suas coleções, Karin investiu no homewear e no comfy wear depois de perceber uma vontade própria como consumidora

O maior desafio foi convencer os fornecedores, acostumados a vender centenas de peças, a embarcar no conceito mais exclusivo da Karin Guerekmezian Couture. Era essencial trazer uma nova linha de produtos, sem perder o DNA da marca. “O começo foi muito difícil. São Paulo estava parada, não tinha fornecedor, nem fábricas abertas. Eu implorava para comprar moletom para quem nem sabia quem eu era, fornecedores com quem eu nunca tinha trabalhado. Eu nem era cliente deles e pedia prioridade”, relembra. As coleções foram lançadas com 20 a 30 itens de cada modelo, aproveitando a quantidade mínima de compra exigida pelos fornecedores para vender com a exclusividade da marca.

Assim como Karin buscava por roupas confortáveis para passar o período de isolamento social em casa, suas clientes procuravam pelo mesmo e o novo conceito fez sucesso entre as consumidoras da marca. “Elas ficaram muito felizes porque sempre me pediam uma coleção assim. O feedback foi positivo e vendi muito bem porque entregamos a qualidade do material e o cuidado do sob medida”, afirma a estilista.

Um ano após o início da pandemia, com a vacinação já iniciada, o mercado de festas em que a estilista originalmente atuava está, aos poucos, voltando aos eixos. As provas das peças continuam no modelo pandêmico: Karin resolve tudo sozinha, a passo de tartaruga. Mas já foi possível retomar a produção dos pedidos sob medida. Por enquanto, vai tocar as duas linhas ao mesmo tempo. Para o futuro, promete pensar com carinho no mercado masculino, após o sucesso das peças de homewear também entre os homens. E brinca: “quando as clientes pediam uma coleção, eu também dizia que precisava pensar”.

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