Milho a US$ 7 o bushel pressiona o preço da carne bovina nos Estados Unidos

Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Wenderson Araujo/Trilux/CNA

Preço do cereal faz custo da produção de carne aumentar nos Estados Unidos, apertando a margem dos pecuaristas

Dois dos maiores fornecedores globais de carne, a JBS e a Tyson, anunciaram esta semana que os preços ao consumidor subiriam devido à alta nos custos dos grãos e às condições desfavoráveis ​​do mercado. Com o Índice de Preços ao Consumidor mostrando que os preços da carne subiram 2% já em abril, a expectativa é que esse aumento ocorra em toda a indústria da carne.

“Tivemos um forte aumento de custos”, disse ontem (14) o CEO da JBS S.A., Gilberto Tomazoni. “O custo dos grãos é uma condição estrutural que vai permanecer por um tempo. Vamos adaptar nossos preços e trabalhar na eficiência para mitigar esse aumento de custo.”

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O maior motivo dos aumentos de preços é o milho, que acelera a engorda dos animais e representa um dos maiores gastos individuais na produção pecuária industrial. O preço do bushel, recentemente, disparou para mais de US$ 7, ante US$ 3 há um ano, os mais altos para o cereal em década. Quando o milho ultrapassou os US$ 5 – coincidindo com a recessão global e a seca de 2010 a 2014 – produtores e independentes foram à falência em toda a indústria da carne.

“Parece uma tempestade perfeita no que diz respeito aos ingredientes, mão de obra e todos os outros elementos que estamos analisando”, diz Joe Grendys, o bilionário proprietário da Koch Foods, o quinto maior produtor de frango dos Estados Unidos. “Os insumos para a produção aumentaram em um ritmo que não víamos há muito tempo.”

Alguns apontam o quanto a consolidada indústria da carne – com mais de 80% dela controlada por apenas quatro empresas, por exemplo – é o motivo de choques nos mercados de commodities que impactam drasticamente os pecuaristas. Frigoríficos como Tyson e JBS trabalham, principalmente, por meio de contratos pré-determinados com produtores que têm pouca capacidade de mudar suas operações, mesmo quando seu maior custo (ração à base de milho para os animais) dobra de preço em seis meses.

Algumas poucas grandes empresas podem amenizar o quadro, por meio de negociações no mercado futuro (hedge). A Tyson informou na segunda-feira que seus custos trimestrais com ingredientes para rações aumentaram US$ 135 milhões em relação ao ano passado, compensados por um ganho de US$ 40 milhões de hedge. Outras, como a Koch Foods, que concentra seu principal negócio no abate de frangos, não negociam no mercado futuro.

No início deste mês, R-CALF (Ranchers-Cattlemen Action Legal Fund United Stockgrowers of America), organização que reúne cerca de 5.000 criadores de gado independentes do país, advertiu que o aumento dos preços dos grãos expulsaria do mercado parte dos últimos produtores independentes que ainda restam na indústria da carne. Entre 2010 e 2014, milhares de produtores foram expulsos.

O presidente do R-CALF, Bill Bullard, disse que o milho de US$ 7, em um mercado competitivo de gado, não criaria um problema tão ruim. Bullar dá como exemplo um criador que está no mercado há 46 anos e que disse a ele não saber se sobreviverá a essa temporada.

“Qualquer choque adicional o joga em outra espiral descendente. É isso que está acontecendo agora ”, disse Bullard. “Os preços pagos aos produtores de gado estão tão fortemente deprimidos que qualquer pequeno choque na cadeia de abastecimento de bovinos vivos, agora, tem consequências graves.”

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