Vittia quer ocupar o 1º lugar em bioinsumos, enquanto aguarda melhor momento para IPO

Inaê Riveras/Reuters
Inaê Riveras/Reuters

Lavouras de soja (à esquerda) e milho em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul

O Grupo Vittia, empresa brasileira de biotecnologia e nutrição especial de plantas, trabalha para assumir a liderança em defensivos biológicos, o segmento de maior crescimento em insumos agrícolas do país, ainda que mantendo planos de oferta inicial de ações (IPO) na “geladeira”, à espera de maior amadurecimento do mercado e companhias do agronegócio.

Após a inauguração no final do ano passado da maior fábrica da América Latina de biológicos, produtos que colaboram para aumentar a produtividade agrícola e ainda têm apelo de sustentabilidade, a companhia se prepara agora para disputar a liderança no país com a holandesa Koppert.

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Com capacidade produtiva instalada de 5 milhões de litros/quilogramas por ano, a nova unidade do Vittia em São Joaquim da Barra (SP) tem potencial de receita acima de R$ 500 milhões ao ano, disse à “Reuters” o diretor financeiro do grupo, Alexandre Del Nero Frizzo.

“Acreditamos que o faturamento vai ter um salto em 2021 (com a nova unidade)”, destacou ele, ressaltando que a empresa pretende “ser líder” nesse mercado com suporte da nova fábrica.

A companhia com meio século de atuação no Brasil –e quatro importantes aquisições desde a entrada de um fundo na empresa familiar em 2014– registrou salto de 69% na receita líquida do primeiro trimestre, para R$ 119,5 milhões, após encerrar 2020 com faturamento de cerca de R$ 580 milhões.

Mas comentou que a nova unidade na região de Ribeirão Preto que detém, entre outras, tecnologias de fermentação líquida, para fungos e bactérias, vai correr atrás de um mercado defensivos biológicos que teve crescimento de 40% em 2020.

Ainda pequena perto do mercado de defensivos químicos, a categoria de produtos que combatem pragas nas lavouras com fungos, bactérias, vírus e insetos deve crescer 33% em 2021 no país, a R$ 1,79 bilhão, conforme pesquisa divulgada pela associação CropLife, que considera esses biológicos como o segmento que mais cresce entre os insumos agrícolas.

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Segundo o executivo da Vittia, a companhia cresceu 50% na linha de biológicos em 2020, um avanço que poderia ter sido ainda maior, se a empresa já tivesse maior capacidade. “Este ano, com a entrada da nova planta, foi eliminado o gargalo.”

Ainda que seja uma tecnologia “revolucionária” e de forte crescimento, os biológicos representam uma fatia menor do mercado de defensivos, dominados pelos químicos, cujas vendas no país somam cerca de R$ 50 bilhões por ano.

 

PLANOS DE IPO

No primeiro trimestre, o grupo com unidades produtivas também nos municípios paulistas de Ituverava, Serrana, Artur Nogueira, além das cidades mineiras de Uberaba e Patos de Minas, mais que dobrou a geração de caixa medida pelo Ebitda.

A empresa teve impulso das vendas de biológicos, mas também de outros produtos, como os inoculantes (fertilizantes biológicos), os quais já é líder no Brasil.

Os fertilizantes especiais, como produtos à base de bactérias que fazem a fixação biológica do nitrogênio na raiz, responderam por mais de 50% das vendas de 2020 da empresa, que pediu registro para oferta inicial ações (IPO) no ano passado, mas segurou a operação devido às condições do mercado.

A empresa, cuja fatia majoritária de 70% é detida pela família Romanini, avalia que o mercado ainda não estava preparado para receber uma onda de IPOs de companhias do agronegócio como a vista no ano passado –muitas das quais suspenderam as transações.

Embora o agronegócio seja um importante motor da economia brasileira, os investidores e as casas que lidam com IPOs ainda não dispõem do mesmo conhecimento da indústria agrícola que tem sobre outros setores com maior participação na bolsa.

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“Em empresas de tecnologia ou e-commerce, o cara já tem todo um embasamento… ele já entende, já sabe como precificar… basicamente é este o desafio (de empresa do agronegócio), quando chega com ativo novo, isso começa a pressionar muito o apetite, o tamanho da ordem”, explicou o executivo, citando que mais de dez empresas do agro fizeram processos para IPO, mas a maioria delas não conseguiu concluir.

No caso do Vittia, disse Frizzo, o projeto está em “modo de espera, na geladeira”, mas a companhia está preparada para quando as condições favorecerem, para relançar a operação.

O IPO da Vittia permitiria, além da capitalização da empresa para novas aquisições, a “saída” do fundo de private equity Brasil Sustentabilidade FIP, que em 2014 passou a deter uma participação minoritária no grupo familiar. (Com Reuters)

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