10 das melhores cachaças segundo especialistas

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A Gouveia Brasil 54%, por conta do seu alto teor alcoólico, tecnicamente se classifica como uma aguardente de cana

Em um contexto colonialista e de expansão marítima, a cachaça se apresentou como um dos primeiros destilados da América a ser produzido em larga escala com relevância econômica. Isso porque, diferentemente de cervejas e vinhos, seu alto teor alcoólico preservava a bebida durante os longos trajetos sobre o mar, sendo extremamente vantajoso. Sobre seu sucesso não há dúvidas. Das barcas estrangeiras até os dias atuais, a bebida se destaca como um grande marco do Brasil, embora sua origem não seja tão certa assim. 

Sem muitos registros documentais, há poucas certezas. Mesmo assim, há um fato capaz de pelo menos desenhar o cenário em que a bebida surgiu: a história começou quando os portugueses trouxeram ao Brasil a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. Sendo assim, o nascimento da cachaça tem relação com os engenhos de açúcar, sejam eles em Pernambuco, Porto Seguro na Bahia ou litoral de São Paulo. Aliás, um dos primeiros indícios registrados da produção do destilado, datado do início do século 17, se relaciona exatamente a isso, aguardentes que eram fabricadas no engenho para consumo dos escravos. A partir desse contexto –tão aberto a suposições– surgiram muitos boatos, lendas e falácias com o decorrer do tempo, algumas extremamente populares e culturais.

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Discutir sua origem pode fazer parte da brasilidade, como um campo de novas descobertas, mas degustá-la parece ainda melhor. “A grande beleza de nossa bebida é que não há uma igual a outra. Por ser monodestilada, ela carrega, como o vinho, características de sua matéria-prima, território e fermentação. Além disso, a riqueza de seu processo de produção ainda garante percepção de elementos da destilação e maturação”, destaca Isadora Bello Fornari, consultora de bebidas e especialista em produtos nativos. 

Como uma parte singular do Brasil a cada gole, o gastrônomo e mixologista Rodolfo Bob também ressalta a importância de enxergar a cachaça como algo complexo e de ampla riqueza de aromas e sabores. “Em particular, eu não acredito em cachaça como uma categoria única, tanto como vinhos e cervejas. A gente tem, por conta dos tipos de madeira em que elas ficam, uma necessidade básica de categorizar o que é uma cachaça branca, o que é uma com armazenamento em madeira e o que é uma cachaça extra madeirada. Quem degusta não pode achar que existe uma categoria só.”

Por ser tão surpreendente, Isadora conta que não é possível dizer exatamente qual a melhor cachaça através de marcas e preços. “O mais encantador sobre nossas bebidas é que valor não é necessariamente preço. Temos produtos muito acessíveis que ainda assim oferecem muita complexidade e beleza”. Além disso, por conta da vasta opção de cachaças diferenciadas, é uma alta relevância do gosto pessoal para essa avaliação. 

Foi por isso que, com a ajuda de cinco conhecedores em coquetelaria e mixologia; os já citados Isadora Bello Fornari e Rodolfo Bob, o editor chefe do “Mixology News”, Marco de La Roche, o criador do “Mapa da Cachaça”, Felipe Jannuzzi, – que ajudou na descrição das bebidas indicadas -, e o publisher do “Difford’s Guide”, Marcelo Sant’Iago; a Forbes Brasil montou uma lista especial para o dia da Cachaça, 13 de setembro, com as dez melhores indicações da bebida segundo os especialistas. O critério para ordem da lista foi feito de acordo com os rótulos mais citados pelos profissionais. 

Com dicas diversas conforme o gosto de cada um, é possível ingressar em uma busca literalmente deliciosa pela aguardente favorita. “A comemoração do Dia da Cachaça é mais um motivo para se permitir desbravar produtos incríveis e se perder nos sabores e personalidades da bebida nacional”, ressalta Isadora. 

Sendo assim, confira na galeria abaixo as dez indicações segundo os especialistas:

  • 1. Tiê Prata – 3 indicações

    A Cachaça Tiê Prata é produzida pelo casal paulista Arnaldo Ramoska e Cris Amin em uma propriedade de 1.000 hectares –sendo 20 dedicados à cachaça– da fazenda Guapiara, em Aiuruoca, cidade localizada no sul de Minas Gerais. Seguindo as tradições da região, a cachaça é fermentada por leveduras selvagens, seguindo a Escola do Fermento Caipira. A destilação é feita em alambique de cobre aquecido a lenha e, após o processo, a cachaça é armazenada em dornas de aço inoxidável, sem agregar cor, aromas ou sabores da madeira ao destilado, mantendo as características da cachaça em sua forma pura. Com teor alcoólico de 42%, uma garrafa de 700 ml custa R$ 54.

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  • 2. Princesa Isabel Cana Caiana – 3 indicações

    Enquanto falar sobre variedade de cana ainda é um tabu entre alguns produtores, a Princesa Isabel, produzida em Linhares, Espírito Santo, acredita na produção de cachaças que destaquem a variedade da cana-de-açúcar, se destacando como uma das opções mais inovadoras do momento, além de saborosa. Após descansar por três anos em tonéis de inox, uma garrafa de 700 ml com teor alcoólico de 40% custa R$ 90.

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  • 3. Sebastiana Duas Barricas – 3 indicações

    Envelhecida por quatro anos, a bebida passa inicialmente por 24 meses em barril de castanheira brasileira e segue para mais 24 meses em barril de carvalho americano. Com notas de mel e fruta seca, uma garrafa de 700ml da bebida, com 40% de teor alcoólico, custa R$ 350.

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  • 4. Gouveia Brasil – 3 indicações

    A Gouveia Brasil é uma versão de cachaça com 54% de álcool, o que tecnicamente a classifica como uma aguardente de cana, embora ainda assim ela faça parte do mercado de cachaça. Produzida na destilaria de Turvolândia, é envelhecida por 18 anos em tonéis de carvalho americano e é apresentada em uma edição comemorativa de 50 anos do Master Blender da marca, Armando Del Bianco. Com apenas 200 unidades, as garrafas de 500ml custam R$ 1.007.

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  • 5. Santo Grau Pedro Ximenes – 2 indicações

    A Santo Grau PX tem 39% de álcool e é envelhecida no sistema de Solera com cinco tonéis de 500 litros de carvalho americano que passou por vinho Jerez Pedro Ximenez, da Osborne. A borra seca e cristalizada formada nas paredes do barril pelo vinho faz a cachaça ser naturalmente adoçada, contendo 9g/L de açúcar. Portanto, tecnicamente, não é apenas cachaça, mas uma cachaça adoçada. Sua garrafa de 750ml custa R$ 159.

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  • 6. Da Quinta Amburana – 2 indicações

    A Cachaça da Quinta Amburana é produzida na Fazenda da Quinta Município do Carmo, região serrana do estado do Rio de Janeiro. A propriedade possui solo, clima e microclima ideais ao cultivo da cana, fermentação e elaboração dos produtos. Também vale ressaltar que, na contraposição de outras cachaças que usam carvalho de tosta, o que gera uma cor muito intensa e uma descaracterização do aroma da bebida pura, a Quinta armazenada possui uma cor bem clara, passando pelo processo na medida certa. Uma garrafa de 500 ml com 40% de teor alcoólico custa R$ 86.

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  • 7. Santa Terezinha Kraft – 2 indicações

    Nessa edição especial, Santa Terezinha Kraft também explora a cana-de-açúcar ao máximo. Após a destilação, a cachaça é filtrada em fibras de bagaço fresco, o que faz com que a cachaça ganhe corpo, levemente adocicado, além de um toque amarelado (não leva madeira). O processo incorpora sabor suave e delicado, equilibrado com leve acidez e potente teor alcoólico de 43%. A recomendação é consumir gelada, quando ganha ainda mais corpo, ficando cremosa. Sua garrafa de 500 ml custa R$ 105.

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  • 8. Magnífica Bica do Alambique – 2 indicações

    A cachaça Magnífica é produzida desde 1985 em Vassouras, a quase 120 km da capital fluminense. Muitos a chamam de cachaça verde, pois, do jeito que ela sai do alambique, é engarrafada. Não tem nem adição de água, reforçando a essência da cachaça pura. Com 48% de teor alcoólico e 500 ml, um exemplar da bebida custa R$ 49,95.

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  • 9. Encantos da Marquesa Branca – 2 indicações

    O processo de produção da Encantos da Marquesa Branca enriquece o produto. Sem utilização de pesticidas ou adubos químicos, a cana é colhida manualmente. Já a água para preparação do mosto é coletada das chuvas para evitar a interferência de metais, e a fermentação conduzida com leveduras locais e controle de temperatura. Por fim, a destilação é feita em alambiques de cobre de baixo volume e só a porção intermediária é engarrafada para vender. A Encantos da Marquesa é uma cachaça safrada e cada safra apresenta características próprias. Com 40% de teor alcoólico e 600 ml, a cachaça custa em média R$ 50.

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  • 10. Mato Dentro – 2 indicações

    A fabricação da cachaça Mato Dentro se inicia no plantio da cana-de-açúcar. A maneira como ela é plantada, tipo de solo e tempo de espera até a colheita influenciam na qualidade final da cachaça. Depois de colhida, a cana é moída e tem todo seu caldo extraído a fim de seguir para fermentação com leveduras selvagens alimentadas com fubá de milho. Após a fermentação e a destilação, chega o grande diferencial da Mato Dentro: o envelhecimento em barris de amendoim de 200 litros, 250 litros e 700 litros por um ano. Com uma garrafa de 900 ml e 42% de teor alcoólico, ela custa cerca de R$ 56.

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1. Tiê Prata – 3 indicações

A Cachaça Tiê Prata é produzida pelo casal paulista Arnaldo Ramoska e Cris Amin em uma propriedade de 1.000 hectares –sendo 20 dedicados à cachaça– da fazenda Guapiara, em Aiuruoca, cidade localizada no sul de Minas Gerais. Seguindo as tradições da região, a cachaça é fermentada por leveduras selvagens, seguindo a Escola do Fermento Caipira. A destilação é feita em alambique de cobre aquecido a lenha e, após o processo, a cachaça é armazenada em dornas de aço inoxidável, sem agregar cor, aromas ou sabores da madeira ao destilado, mantendo as características da cachaça em sua forma pura. Com teor alcoólico de 42%, uma garrafa de 700 ml custa R$ 54.

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