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Os 10 melhores destinos para nômades digitais brasileiros ao redor do mundo

O preço do câmbio e a qualidade da internet são os principais pontos a serem observados pelos viajantes

6 min
Getty Images/Rocky89
Getty Images/Rocky89Por incrível que pareça, a vida de um nômade digital também é acompanhada de incertezas e inseguranças

“Ao pesquisar ‘nômade digital’ no Google, sempre aparece alguém com um notebook na beira da praia. Isso faz com que as pessoas pensem que fulano largou tudo para viajar o mundo, o que não é verdade. Existe um planejamento no meio dessa história”, explica Matheus de Souza, autor do livro “Nômade Digital”, finalista do Prêmio Jabuti 2020 na categoria economia criativa. Desde 2017 vivendo a experiência de não ter uma casa fixa, Souza observa o aumento de interesse pelo tema, principalmente por conta do isolamento social durante a pandemia de Covid-19.

“Em 2015, eu tive o primeiro estalo sobre o assunto. Sempre atuei na área de marketing e sabia que meu trabalho podia ser feito de qualquer lugar. Por que não de forma remota?”, questionou aos seus chefes da época, que não aprovaram a ideia. “Fiquei um ano me programando: oferecendo trabalhos como freelancer como redator e fazendo uma reserva financeira. Quando me demiti, estava prestes a ter um burnout. Tinha apenas 28 anos e minha pressão subia”, relembra o autor.

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Seu primeiro destino foi o México, onde, finalmente, encontrou o equilíbrio que procurava entre a vida pessoal e profissional. “Trabalho entre cinco e seis horas por dia, crio minha agenda”. Para o nômade digital, uma boa internet e um custo de vida atrativo já é o bastante para que um país se torne opção de moradia por alguns meses. “Somos, simplesmente, sujeitos em constante movimento trabalhando de forma remota”, define.

Para Sophia Costa, nômade digital assumida desde 2020, o estilo de vida é ideal para suas vontades do momento. “Eu sempre falo que, para mim, nada é definitivo. Acho que as pessoas têm um pouco de medo de tomar uma decisão dessas porque pensam que será para sempre e, na verdade, é pelo tempo que faz sentido”, explica. O estilo de vida se tornou parte de sua realidade de forma natural, quando começou a viajar e descobriu que explorar novas culturas era sua maior motivação. “Minha vida era trabalhar, juntar dinheiro e viajar. Foi assim por alguns anos, até eu decidir ir para Moçambique fazer um trabalho voluntário de três meses.”

A experiência mostrou que era possível trabalhar em qualquer lugar do mundo. “Eu nunca tinha atuado de forma 100% remota e muito menos com fuso horário. Quando cheguei lá, descobri que funcionava super bem”. Quando voltou ao Brasil, teve mais uma oportunidade longe de casa: passou em um mestrado de direitos humanos em Buenos Aires, na Argentina. “Quando meu período de estudos acabou, me desfiz do meu apartamento, terminei meu namoro e viajei para a Tailândia, onde estou há exatamente um ano”, conta Sophia entusiasmada.

“Eu trabalho para uma agência e tenho um horário limite para entregar as demandas do dia. Tenho a liberdade de me organizar da forma que eu quiser”, ressalta. “Nunca fez sentido para mim ficar 8h dentro de um escritório. Se eu consigo fazer minhas atividades em 3h, por que preciso ficar presa por tanto tempo?”

Lucas Morello, criador da consultoria de marketing Bota na Rua, é dono do seu próprio negócio e produz conteúdos digitais. Para ele, a flexibilidade de criar seu próprio horário de trabalho enquanto explora novas culturas é de tirar o fôlego. “Meu vício por viajar começou na primeira viagem internacional que fiz, para a Bolívia. Lá eu me encontrei como um pequeno desbravador que está disposto a conhecer a cultura do outro e acabar com meu preconceito sobre as diversas formas de viver nesse mundo”, destaca.

As escolhas de um nômade

Por incrível que pareça, a vida de um nômade digital também é acompanhada de incertezas e inseguranças. Para Sophia, uma das maiores dificuldades é conciliar sua rotina com a de amigos que ela encontra na estrada que, normalmente, não possuem horários flexíveis. “Exige pulso firme, porque não existe ninguém me cobrando e eu preciso ser muito fiel à minha agenda.”

Por outro lado, há um aspecto – completamente incontrolável – que preocupa todo nômade digital em suas estadias: o câmbio. Esse é o fator que determina o destino dos viajantes, especialmente quando o salário é pago em real, como é o caso de Souza, Morello e Sophia. Esse fator é ainda mais decisivo para ela, que precisa de bastante tempo de estadia para conseguir conhecer o local. “Eu faço trabalho de freelancer, tenho uma marca, um livro e meus produtos digitais. Se eu ficar pouco tempo nos lugares, não vai dar tempo de fazer nada”, explica.

Outro ponto essencial na hora de decidir o próximo destino é o acesso à internet. O trabalho à distância exige conectividade de qualidade 24 horas por dia. Sophia, por exemplo, tem o desejo de conhecer as Filipinas, mas, por conta da qualidade da web – que não é muito boa – teve de riscar o país da sua lista por enquanto.

Embora o termo nômade digital tenha se popularizado, ter referências e informações sobre o assunto é essencial para que outras pessoas sejam encorajadas a investir nesse estilo de vida. “Sempre gostei de compartilhar as minhas vivências. A gente precisa se enxergar nos lugares para acreditar que podemos ocupá-los”, destaca Souza.

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Para aqueles que ainda têm dúvidas, Sophia fala sobre a importância do autoconhecimento nesse processo: entender como seu corpo e sua mente lidam com uma rotina flexível em constante mudança. “Uma dica é alugar uma casa de praia por um mês e trabalhar de lá para ver como funciona, se consegue driblar as distrações.”

Já para aqueles que têm certeza que vão se adaptar ao estilo de vida, Souza, Morello e Sophia revelam seus destinos preferidos. Veja, na galeria abaixo, os 10 melhores lugares para nômades digitais brasileiros ao redor do mundo:

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