Riqueza de bilionários quebra recorde na pandemia e bate US$ 10 trilhões

Andrej Sokolow/picture alliance /Getty Images
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Em agosto, Jeff Bezos atingiu o posto de primeiro bilionário a acumular US$ 200 bilhões do mundo

O novo coronavírus elevou a riqueza total dos bilionários ao seu nível mais alto. Desde o início da pandemia, a riqueza total mantida por bilionários em todo o mundo aumentou 25%, para mais de US$ 10 trilhões.

O marco coincide o do primeiro bilionário a acumular US$ 200 bilhões do mundo. O patrimônio líquido de Jeff Bezos ultrapassou a marca em agosto, exatamente quando o UBS e a PwC estavam computando os dados para seu relatório anual sobre bilionários.

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O documento, divulgado hoje (7), mostra que a riqueza geral dos bilionários cresceu em seu ritmo mais rápido do que em qualquer período da última década. Entre abril e julho, os bilionários tiveram um aumento de sua riqueza em 27% –US$ 8 trilhões no início de abril. Isso foi em grande parte graças aos pacotes de estímulo dos governos.

“O patrimônio dos bilionários está vagamente correlacionado com os mercados de ações”, analisa o relatório “Riding the Storm” copublicado por UBS e PwC. “Desde o final de março, os enormes pacotes de estímulo fiscal e flexibilização quantitativa dos governos geraram recuperação nos mercados financeiros.”

Mais da metade das ações detidas por famílias norte-americanas equivale a 1% do patrimônio dos mais ricos, segundo pesquisa da Goldman Sachs GS, em fevereiro. À medida que os mercados sobem, como vêm ocorrendo desde março, os mais ricos acumulam maiores ganhos.

O pacote de alívio econômico sancionado pelos Estados Unidos contra o coronavírus, CARES Act, apenas ajudou nessa valorização. Uma brecha na legislação de março permitiu que os milionários se beneficiassem da quantia de cerca de US$ 1,7 milhão do governo norte-americano. Desde então, outras 133 grandes empresas receberam US$ 5 bilhões do Tesouro do país. Já no Reino Unido, os pacotes de estímulo do governo no valor de mais de £ 16 bilhões (US$ 20,6 bilhões) foram diretamente para empresas de propriedade de bilionários, segundo dados divulgados em junho.

“A pandemia ampliou todas as desigualdades existentes em nossa sociedade”, disse a bilionária Melinda Gates ao lançar o Goalkeepers Report da Fundação Bill e Melinda Gates, no mês passado. O relatório anual acompanhou os 17 objetivos globais da ONU para o desenvolvimento sustentável. O que ocupa a décima posição, “desigualdades reduzidas”, está diminuindo à medida que os ricos acumulam mais dinheiro.

Emmanuele Contini/NurPhoto/Getty Images
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Melinda Gates

Bilionários doam quantias recordes, por enquanto

Além de aumentar a riqueza, a pandemia também aumentou as doações dos bilionários. A pesquisa do UBS e da PwC analisou que eles estão fazendo mais doações durante o atual período do que em qualquer momento da história. O relatório também observou “que é provável que seja apenas uma fração do valor total, dada a tendência à discrição”. Segundo um estudo separado publicado na terça-feira (6), mais de 75% das famílias ricas dizem preferir doar discretamente.

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“A preferência pela discrição significa que a extensão de sua contribuição social, entretanto, nem sempre é reconhecida”, disse Guy Hudson, sócio e chefe de marketing da Stonehage Fleming, um multi family office que publicou o relatório “Four Pillars of Capital”.

No entanto, quando questionados sobre se esperam doar mais em 2020 do que em anos anteriores, mais da metade dos entrevistados no estudo da Stonehage Fleming negaram. O UBS e a PwC também descobriram que a caridade provavelmente será temporária. Quando perguntaram aos bilionários sobre seus planos para os próximos 12 meses, a filantropia estava no topo de poucas agendas. Em vez disso, o “planejamento de sucessão” foi a resposta mais popular. A filantropia ficou em sexto lugar, com apenas 25% dos entrevistados afirmando que planejava “doar mais” nos próximos 12 meses.

Mesmo os US$ 7,2 bilhões em doações da Covid-19 que o UBS e a PwC atribuíram aos 209 bilionários representam apenas 0,3% da riqueza total dos bilionários ganha durante o mesmo período. Estatísticas como essa só vão aumentar os apelos para que bilionários atuem mais ativamente na sociedade com seu dinheiro ou pressionar os governos a considerarem um imposto sobre riquezas.

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