Head da Dell para a América Latina diz que “a região como unidade de gestão não existe”

Fernando Ctenas/Divulgação
Fernando Ctenas/Divulgação

Luis Gonçalves: experiência internacional pesou a favor

No dia 18 de agosto, a Dell Technologies anunciou a substituição do argentino Diego Majdalani por Luis Fernando Gonçalves no comando da multinacional na América Latina. O brasileiro foi um dos primeiros contratados para a operação no país, em 1999. Em 2014, tornou-se general manager, depois de liderar as unidades da Dell no México (2011 e 2012) e no Chile (2009 e 2011).

Ele diz estar preparado para esse multifacetado desafio. “As experiências internacionais me ajudaram a entender duas coisas. Primeiro: América Latina é um nome fantasia – a região como unidade de gestão não existe. O que existe é o mercado da Argentina, da Colômbia, do México… Um diferente do outro em termos de maturidade, tecnologia, cultura e até de língua, embora falem espanhol. A segunda coisa é você conseguir liderar nesses contextos tão diversos e ainda assim levar adiante uma estratégia que caminhe pari passu em todos os países.” E são muitos países. Luis Gonçalves agora é responsável por tudo o que está “do México para baixo”.

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Ainda sobre o segundo tópico, ele diz que o segredo é “se colocar do outro lado da mesa”, tentando entender como cada cultura enxerga o mundo, como conduz os negócios e as relações pessoais, como é o tecido social de cada nação. “Mas sem a pretensão de ser um deles. Afinal, não cresci ali, não frequentei as mesmas escolas, não torço para os mesmos times, não passei pelas mesmas crises econômicas e sociais que eles.”

Ao falar da adaptação a diferentes costumes, lembra de um fato curioso: quando conduziu a Dell no Chile, ele era também responsável pelas operações na Bolívia. “E lá eles comemoram o Dia do Mar [em 23 de março], sendo que o país não tem saída para o mar. Achei estranho. Mas logo compreendi a importância disso para eles.” O dia relembra o fato de que, há 140 anos, o país perdeu 400 quilômetros de litoral para o Chile na Guerra do Pacífico – e até hoje isso mexe com o orgulho dos bolivianos. Assim, quebradas as resistências e estranhamentos logo de saída, o executivo paulistano descreve a promoção como “suave”.

A pandemia e a tecnologia 5G, para ele, são indicadores de que ainda estamos “na superfície” do que será a digitalização dos serviços – e da vida de forma geral. “O mercado [de tecnologia] deve chegar a 2023 movimentando US$ 2,3 trilhões. E pela primeira vez veremos mais investimentos em inovação do que em manutenção.” A crise do coronavírus, aliás, não foi de todo ruim para a Dell. No primeiro trimestre de 2020, a venda de notebooks cresceu 16%. “A coleta e o armazenamento de dados também cresceram muito. Nossa fábrica não parou um instante sequer. Tivemos que estender o turno, não só pelas exigências de distanciamento social, mas também pelo aumento de demanda”, conta. “As companhias entenderam que não podem postergar a modernização de sua infraestrutura digital e vão fazer investimentos muito fortes na continuidade dessa jornada. O que era uma aspiração agora é obrigação.”

A própria Dell teve que correr contra o relógio. “Globalmente, fizemos a transição de mais de 90 mil funcionários para o trabalho remoto em apenas um mês. No Brasil foram 3 mil colaboradores. Nossa prioridade é a segurança das pessoas.”

Aos 53 anos e pai de três filhos (de 24, 21 e 13 anos), o novo “chefão” da Dell na América Latina contentou-se com o papel de “suporte técnico” da família na quarentena. “Por causa das aulas online de manhã, de tarde e de noite, vimos que a casa precisava de mais banda. Agora temos dois provedores e soluções de alto nível. Acho que trabalhei bem, porque ganhei alguns ‘joinhas’ pelo serviço…”

Reportagem publicada na edição 80, lançada em setembro de 2020

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