Ibovespa avança com exterior favorável e balanços, em dia de Copom

Os mercados domésticos operam em compasso de espera no início do pregão de hoje (5), com expectativas pelo tom do comunicado da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) a partir das 18h30, horário de Brasília. Os resultados favoráveis dos balanços, somados ao dia marcado pela recuperação no exterior, ajudam no humor da Bolsa de São Paulo.

O Ibovespa subia 0,52% às 10h10, a 118.327 pontos. O papel PN do Bradesco subia 0,60%, após o banco superar as expectativas do mercado ontem (4) com a alta de 73,6% no lucro líquido do primeiro trimestre.

O dólar oscila na primeira hora da sessão em torno da estabilidade, a R$ 5,4282, enquanto o mercado aguarda o tom que o Banco Central irá adotar no comunicado da noite. Segundo a XP Investimentos, 99% dos investidores institucionais esperam que o Copom aumente a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de acordo com levantamento.

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje dados da produção industrial de março, com queda de 2,4% na comparação com o mês anterior, ante expectativa de queda de 3,5% em pesquisa da Reuters. Na comparação anual, houve alta de 10,5%, acima dos 7,6% esperados pelo consenso da Reuters.

As Bolsas no exterior favorecem o movimento local. Os futuros norte-americanos apontam para abertura em alta, com a recuperação dos papéis de tecnologia, que registraram fortes perdas na véspera. Os comentários realizados ontem pela secretária do Tesouro, Janet Yellen, de que talvez o país precise subir juros para conter o crescimento da economia dos Estados Unidos, ainda repercutem. Yellen ponderou ainda que isso não é motivo para reduzir os estímulos, que são necessários neste momento.

Na manhã de hoje, o relatório de empregos norte-americano da ADP, considerado uma prévia do Payroll (que será divulgado na sexta-feira, 7), decepcionou as estimativas. Segundo as preliminares, os Estados Unidos registraram 742 mil novos empregos em abril, ante expectativa de 800 mil. No entanto, houve um aumento expressivo na comparação do mês anterior, que teve o dado revisado para 565 mil.

Na Europa, os mercados negociam em alta nesta quarta-feira, com o Stoxx 600 em alta de 1,37% e divulgação das leituras finais do PMI no bloco europeu. Na Alemanha, o DAX subia 1,38% perto das 9h30 de Brasília, enquanto o CAC 40, 0,90% na França, e na Itália, o FTSE MIB era negociado em alta de 1,36%.

O PMI Composto final do IHS Markit da Zona do Euro, divulgado mais cedo, subiu a 53,8 em abril, ante 53,2 em março, uma vez que o setor de serviços do bloco voltou a crescer apesar dos renovados lockdowns. “Os dados da pesquisa de abril fornecem evidências encorajadoras de que a zona do euro sairá de sua recessão de duplo mergulho no segundo trimestre”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe do IHS Markit.

Os mercados asiáticos mostram fragilidade no terceiro dia de feriado na China e no Japão, pelo Dia do Trabalho e o Dia das Crianças, respectivamente. Enquanto isso, os mercados abertos adotaram uma postura defensiva. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,49%; e o BSE Sensex, de Mumbai, fechou em alta de 0,88%.

O que esperar do Copom

Segundo a XP, a expectativa está sobre a comunicação que será usada pelo Comitê: “50% esperam que a expressão ‘ajuste parcial’ seja mantida, enquanto 48% esperam que seja removida. Na XP, esperamos que o BC (Banco Central) entregue o aumento de 75 bps na Selic para 3,50% e que mantenha a expressão, mas com o cuidado de condicioná-la à evolução do cenário e à meta de inflação.”

O sócio da BRA, João Beck, avalia que a dúvida no momento está sobre o prolongamento do ciclo de altas. “Por quanto tempo vão se manter essas altas consecutivas de 0,75 ponto percentual? Quantas altas de 0,75 ponto percentual ainda vamos ter?”

Beck acrescenta que a expressão de “normalização parcial da taxa Selic” usada pelo BC no último comunicado gerou incômodo, e espera-se que isso seja alterado hoje. “O mercado espera que o Banco Central mude essa frase para um ajuste que for necessário para ancorar as expectativas de inflação. Isso daria uma sinalização bem mais forte e ancoraria melhor as expectativas de inflação.”

Já para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o Copom deve elevar a Selic em 0,75 ponto percentual em mais duas reuniões após a de hoje. “Assim, espera-se que a Selic chegue a 5% ao ano. Tal patamar deverá ser praticado ao longo dos 12 meses seguintes, passando a elevação até 6% apenas no último trimestre de 2022.”

Os comentários de Rossano Oltramari, sócio e estrategista da 051 Capital, vão na mesma direção e explicam que as commodities colaboram para a manutenção prolongada de altas da Selic. “Um dos principais componentes que impacta os juros é o ciclo de alta das commodities, como soja, milho, trigo e carne, que estão subindo fortemente no mundo todo. Tivemos uma desvalorização cambial muito forte no último ano, o que traz pressão inflacionária grande, principalmente em relação a componentes importados.” Oltramari também alerta para os riscos políticos do país, que estão sob o radar do Copom, como a vacinação lenta, o desemprego alto e a insegurança fiscal.

O diretor de Investimentos do Paraná Banco, André Malucelli, aponta que, para este momento de incerteza e amplitude da Selic, a renda fixa pode ser a melhor alternativa. “Temos fatores que geram incerteza, como o desenrolar da CPI da Saúde e a eventual quebra do teto fiscal; e fatores positivos, como uma desaceleração do IPCA e o encaminhamento da reforma tributária, trazendo de volta uma pauta positiva no Congresso.”

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, explica por que seria favorável para a economia brasileira ter um ciclo de altas da Selic. “Muitos economistas entendem que o câmbio e a taxa de juros estão fora do lugar. Com isso, pressionamos a inflação. Uma taxa de juros mais elevada e equilibrada traria o câmbio para o ponto ideal. Não teríamos um país com juro real tão negativo no curto prazo e mais equilíbrio na economia. A subida de juros é para conter o aumento da inflação, colocar o câmbio no lugar e termos o tripé macroeconômico equilibrado.” (com Reuters)

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